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Indústria e investimentos registram queda menor, diz O Globo

Nos últimos três anos, os investimentos acumularam queda de 27,9%, enquanto a indústria recuou 12,6%.

No entanto, apesar de continuarem no campo negativo, esses dois componentes caíram menos em 2016. O recuo da indústria passou de 6,3% em 2015 para 3,8% no ano passado, devido, principalmente, ao desempenho da indústria de transformação, cujas perdas caíram à metade: de 10,4% para 5,2%, na mesma comparação. Os investimentos encerraram 2016 com queda de 10,2%, frente a um recuo de 13,9% em 2015.

Este ano, as previsões para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o nível de investimento, variam de estabilidade a alta em torno de 2%. Os mais otimistas acreditam que a redução da taxa de juros — o mercado já projeta a Selic a 9,25% no fim do ano —e a melhora da confiança da indústria, somadas à necessidade de reposição de capital (os investimentos estão em patamar inferior ao necessário para compensar a depreciação), devem elevar os investimentos neste ano. Já os mais pessimistas apontam que o elevado nível de endividamento e ociosidade das empresas irá prejudicar esse indicador.

— O ambiente está um pouco mais propício para o investimento privado, com a queda de juros e perspectivas de melhora no ambiente econômico. Cenários de destruição de capacidade instalada abrem espaço para recomposição dessa depreciação — analisa o economista Rafael Baciotti, da consultoria Tendências.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, discorda.

— É difícil imaginar alguém comprando máquina, sendo que já tem máquina parada na empresa — diz.


OPÇÃO POR ESTICAR O TURNO


Eduardo Canjani, dono da gráfica Ciagraph, é um dos muitos empresários que engavetou investimentos planejados. A decisão de postergar os gastos com a compra de maquinário foi tomada no fim de 2015. Em 2016, logo no início do ano, a queda nas encomendas levou Canjani a demitir dez de seus 60 funcionários e cortar um turno e meio de trabalho.

— Seguramos todos os investimentos. Precisava adequar a oferta à fraquíssima demanda. O ano passado foi bem difícil, e não tenho dúvidas de que nossa decisão foi bem acertada — conta ele.

Embora admita que já faturou cerca de 9% a mais em janeiro e fevereiro deste ano, em relação ao mesmo período de 2016, e esboce algum otimismo com os próximos meses, Canjani descarta a possibilidade de tirar os investimentos da gaveta neste momento:

— Tenho capacidade ociosa, e primeiro vamos preenchê-la para então investir. Ainda temos uma cenário de incerteza em relação ao futuro, e a preferência, em um momento como este, é esticar o turno.

Na avaliação de Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os dados do PIB trouxeram algum alento para a indústria, que refletiu mais intensamente a forte contração do consumo de bens duráveis em meio à recessão. Mas ele aponta entraves à recuperação:

— A demora em adotar medidas que pudessem rapidamente tornar o quadro econômico menos adverso, ao lado da passividade da política econômica quanto à trajetória de apreciação cambial, concorreu para esse adiamento da reativação da economia. Por essa razão, torna-se ainda mais importante neste início de 2017 somar fatores dinamizadores. Destravar os investimentos privados em infraestrutura e aprofundar o ritmo de redução da taxa básica de juros seriam providências muito positivas — conclui.


SKAF: ‘HORA DE SOLTAR AS VELAS’


Para o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, os números do PIB confirmam que o país passa pela pior crise desde a década de 1930. Ele ressalta, no entanto, sinais positivos, como a geração de empregos em janeiro:

— Para aproveitar esse vento favorável, é urgente incentivar o investimento na produção, o que só vai acontecer com a redução mais acelerada das taxas de juros e com o aumento da oferta de crédito — afirma Skaf. — É hora de soltar as velas e deixar o barco navegar de novo.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, o resultado da economia no quarto trimestre surpreendeu o setor e mostra que o país tem de tomar medidas de efeito mais imediato. Mas ele ainda vê falta de compromisso da classe política para dar andamento às reformas, como a trabalhista, por exemplo.

Para Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, o resultado do PIB já era esperado. Ela ressaltou, porém, que “o nível de confiança vem melhorando”.

Já o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, considera que o Brasil passou por um profundo vale no último trimestre, mas deve encerrar o ano em uma posição melhor.

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