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Venezuela é primeiro desafio de Aloysio, diz O Globo

O senador Aloysio Nunes Ferreira toma posse hoje como novo ministro das Relações Exteriores e já embarcará amanhã para participar de uma reunião de chanceleres do Mercosul na Argentina, onde o tema mais relevante será a rediscussão da situação da Venezuela no bloco. O país está suspenso do Mercosul graças a intervenção do ex-chanceler José Serra e do presidente da Argentina, Carlos Macri, que impediram a posse do vizinho na presidência do órgão.

Hoje, a Venezuela está suspensa do Mercosul por não atender à chamada “cláusula democrática”, em função da perseguição política a adversários do governo do presidente chavista Nicolás Maduro. Interlocutores do futuro ministro avaliam que o primeiro posicionamento oficial de Aloysio, no comando do Itamaraty em relação a Venezuela, será duro, diante do agravamento da crise política no país vizinho.

A família de um dos principais opositores de Maduro, Leopoldo López, preso e condenado a 14 anos de encarceramento, deposita em Aloysio esperança de que ele exerça uma pressão maior sobre Caracas, em favor da libertação de Leopoldo. Chefiando uma delegação de senadores brasileiros, como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado em 2015, o senador tucano e a comitiva integrada por senadores de vários partidos e pelo presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), foram barrados no aeroporto de Caracas, e não puderam visitar o líder da oposição venezuelano na penitenciária de Ramo Verde.

ATUAÇÃO NA VENEZUELA

Há 12 dias, Leopoldo López foi colocado em isolamento como punição, segundo o documento apresentado a família, porque “se dirigiu de maneira desrespeitosa e violenta aos carcereiros, fazendo ameaças e ofendendo o diretor, chamando-o de covarde”. Mas os advogados e a mulher acusam Maduro de ter mandado López para o isolamento por 15 dias, em retaliação a manifestações contra a confirmação de sua condenação a 14 anos de prisão, pelo Tribunal Supremo de Justiça, e por causa do encontro de Lilian Tintori com o presidente americano Donald Trump. Leopoldo López foi condenado por supostamente incitar a violência em uma manifestação que resultou na morte de 43 pessoas contra Maduro.

Não tendo outro remédio senão o de ter de provar que Leopoldo López está vivo, o governo venezuelano acabou confessando que ele vem recebendo um tratamento cruel e degradante . A posse do ministro Aloysio Nunes representa uma nova esperança em relação a pressão do governo brasileiro para que Maduro cumpra as cláusulas democráticas do Mercosul — disse, ao GLOBO, o advogado da família, Fernando Tiburcio.

Muito alinhado com Serra, Aloysio deve manter a mesma política do antecessor em relação a Venezuela.

O senador Aloysio e Serra pensam de forma muito parecida. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o futuro chanceler se envolveu muito com o problema da Venezuela — diz uma fonte próxima a Aloysio.

Com exceção da chefia de gabinete, Aloysio não deverá fazer mudanças no comando do Itamaraty. Na chefia de gabinete, Maurício Lyrio será remanejado para outro posto e assumirá em seu lugar o embaixador Eduardo Saboia, que virou o braço direito de Aloysio desde que sofreu processo administrativo no Itamaraty, ainda na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, que não aceitou sua participação na polêmica fuga do ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, asilado na embaixada do Brasil na Bolívia, para o Brasil.

Saboia era o encarregado de negócios e trouxe Pinto Molina, de carro, para o Brasil. Na secretaria-geral será mantido Marcos Galvão e na assessoria de imprensa, Cláudio Garon. Saboia esteve na comitiva que foi a Venezuela visitar os presos políticos, mas não saiu do aeroporto de Caracas por causa do bloqueio das vias de saída pelos coletivos chavistas.

A posse de Aloysio Nunes como novo chanceler, após a renúncia de Serra, acontece hoje no Palácio do Planalto, junto com o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Na transmissão do cargo, previsto para as 19 horas no Itamaraty, Serra deve fazer um discurso com um balanço da política externa que vem sendo implementada pelo governo Michel Temer. Nos nove meses de gestão, Serra atuou para isolar os chamados países bolivarianos — Venezuela e Cuba — e para melhorar a integração comercial do Brasil com outros blocos econômicos.

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