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Lula deve concorrer à presidência do PT, diz a Folha

Apontado como o único nome capaz de reunificar o partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá concorrer à presidência do PT.

Diante do apelo de dirigentes partidários e sindicalistas, Lula se rendeu ao argumento de que qualquer outro nome poderia amplificar a disputa interna na sigla.

Em reunião ocorrida na semana passada, Lula concordou que sua candidatura seja apresentada às diferentes tendências do PT, para que não seja endossada apenas pela sua corrente, a CNB (Construindo um Novo Brasil). A intenção é que o lançamento de seu nome conte com o apoio de diversas forças internas.

O presidente nacional do partido, Rui Falcão, é o encarregado da composição com todas as tendências petistas. Mas alguns dirigentes partidários, como Valter Pomar (Articulação de Esquerda), já avisaram que não abrem mão de uma candidatura própria.

Outro candidato é o senador Lindbergh Farias (RJ). Seus principais apoiadores, no entanto, têm defendido o nome de Lula.

Diretores do Instituto Lula ainda resistem à candidatura do ex-presidente. Eles alegam que o petista será dragado por uma agenda burocrática, em vez de se dedicar à sua defesa e a uma eventual campanha presidencial.

Lula responde a dois processos na Justiça Federal do Paraná: num deles, é acusado de ter se beneficiado de dinheiro de corrupção na compra e reforma de um tríplex no Guarujá. No outro, de ter recebido vantagem indevida por meio da Odebrecht, que pagou parte de um terreno onde seria a sede do Instituto Lula. Além disso, é réu em outras três ações que não estão em Curitiba.

Petistas contrários à candidatura afirmam ainda que o Instituto Lula, que hoje enfrenta grave crise financeira, definharia sem a presença de Lula. Com a deflagração da Lava Jato, caiu a receita do instituto e da LILS, empresa de Lula responsável pela contratação de suas palestras.

GASTOS

Na presidência do PT, Lula terá seus gastos, inclusive de viagens, custeadas pelo partido. Antes mesmo de qualquer campanha presidencial, ele poderá viajar em aviões fretados pelo partido.

Lula relutou alegando que, com ele à frente do PT, o partido seria alvejado cada vez que viesse à tona uma etapa dos processos aos quais responde. Em resposta, ouviu que o partido já sofre esse revés. Ainda segundo aliados do ex-presidente, Lula é sensível à tese de que um novo embate interno ameaçará a própria sobrevivência do PT.

Em favor da candidatura de Lula há ainda um ingrediente pessoal: antes de sua morte, em fevereiro, a ex-primeira-dama Marisa Letícia vinha defendendo que o marido reassumisse o controle da sigla para pavimentar sua volta à Presidência da República.

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