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Alckmin admite que deseja ser candidato, diz o Estadão

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu ontem pela primeira vez a intenção de ser candidato à Presidência da República nas eleições de 2018. “Se disser que eu não quero ser, que não pretendo ser, não é verdadeiro. Agora, cargo majoritário não é vontade pessoal. É fruto de uma vontade coletiva. E tudo tem seu tempo”, disse Alckmin ontem em almoço com aproximadamente 400 empresários promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).

A declaração foi dada pouco depois de o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ter declarado publicamente apoio ao governador como nome do PSDB para a disputa presidencial.

Ainda que não seja a hora e o momento, e não é, mas que fique claro que a posição do João Doria como cidadão, brasileiro e eleitor é que Geraldo Alckmin será o meu candidato à Presidência da República do Brasil”, disse o prefeito.

O almoço com Alckmin estava agendado havia meses, e desde a semana passada se especulava que seria usado para o lançamento informal da candidatura do governador ao Planalto. Internamente, Alckmin, que disputou o cargo em 2006 e perdeu em segundo turno para Lula, enfrenta uma disputa com os senadores Aécio Neves (PSDBMG) e José Serra (PSDB-SP).

O Lide foi fundado por Doria e presidido pelo prefeito até o ano passado. Ele disse ter ido ao evento “não como prefeito, mas como cidadão brasileiro nascido em São Paulo”, discursou e saiu sem esperar que o almoço fosse servido.

Antes de Alckmin iniciar sua participação, o ex-ministro da Indústria e Comércio Luiz Fernando Furlan – presidente do Lide, que comandou o evento – advertiu que o governador não responderia a perguntas sobre “o prato do dia (candidatura presidencial)”. Mesmo assim, coube à presidente do Lide Mulher, Sonia Hess, perguntar se o governador seria candidato.

Boatos. De acordo com Doria, o objetivo da declaração de apoio, segundo ele mesmo extempoânea, foi dissipar boatos sobre uma possível candidatura dele próprio ao Planalto.

Toda hora, todo dia, a todo momento me perguntam se eu sou candidato a presidente, a governador. Sou candidato a prefeitar”, disse.

Ao justificar a declaração de apoio, Doria, que foi lançado candidato a prefeito por Alckmin contrariando setores importantes do PSDB, usou várias vezes a palavra “gratidão”.

Aprendi com minha mãe e com meu pai que um dos melhores sentimentos do ser humano é a gratidão”, afirmou. “E este sentimento de gratidão eu não esqueço, não coloco de lado, não coloco abaixo, em um nível que não exija a respeitabilidade.”

Doria vinculou a eventual candidatura de Alckmin à “continuidade deste processo de estabilização e desta ponte pacificadora que o presidente Michel Temer tem feito”. E reforçou o discurso antipetista, ao dizer que não quer “ver o Brasil de novo nas mãos de pessoas erradas”.

Governo. Indagado pouco depois se descarta concorrer ao governo para dar um palanque forte a Alckmin em 2018, o prefeito respondeu que “não é hora de falar disso ainda”, mas reafirmou que sua tarefa é “prefeitar”.

Alckmin agradeceu os elogios, disse ficar feliz com a lembrança e, sutilmente, criticou os setores do PSDB que não acreditavam na possibilidade de sucesso de Doria. “Me sinto muito feliz. Ajudei o João Doria no início, quando se lançou pré-candidato, porque até aqueles que duvidavam hoje reconhecem.”

Doria diz que apoia em 2018 o escolhido em prévias tucanas

Pouco depois de lançar informalmente a pré-candidatura do governador Geraldo Alckmin ao Palácio do Planalto, o prefeito João Doria disse que já manifestou a outros caciques tucanos sua posição, mas não descartou a possibilidade de apoiar o senador Aécio Neves em 2018 caso o mineiro seja escolhido pelo PSDB. “Eu apoio as prévias. Havendo prévias, aquele que for o vencedor terá o meu apoio.”

Doria disse ainda que a aliança com Alckmin é anterior às citações ao nome de Aécio nos depoimentos de ex-executivos da Odebrecht à Justiça Eleitoral.

Segundo ele, a decisão de anunciar agora sua posição, quase um ano e meio antes do início formal do processo eleitoral, se deve à necessidade de estancar os boatos que circulam desde a semana passada sobre uma eventual candidatura presidencial dele próprio.

Não vou cometer a deslealdade de achar que tenho que superar ou passar por cima de alguém que tem todo o mérito para seguir esta trajetória”, disse o prefeito.

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