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Sinais de retomada indicam fim da recessão, diz a Folha

Há quase três anos em crise, a economia brasileira parece ter saído do fundo do poço neste início de ano.

Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2016, que serão conhecidos na terça-feira (7), ainda devem mostrar queda da atividade. É provável que confirmem que a recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 foi a pior já vivida pelo país, tanto em duração quanto em magnitude da contração.

Mas o resultado será como um retrato tirado pelo retrovisor. Indicadores recentes retornaram para patamares anteriores ao aprofundamento da recessão. Segundo economistas, o cenário é de recuperação, embora frágil.

Os principais fatores que impulsionam a economia são uma melhora da demanda por commodities, o aumento da safra agrícola e a queda da inflação e dos juros.

A relação entre os preços dos principais produtos que um país exporta e importa, chamada termos de troca, é uma medida importante dos ventos do setor externo.

Cálculos do Itaú Unibanco mostram que, no caso do Brasil, essa relação voltou para um patamar próximo ao de 2014, ainda longe do pico de cinco anos atrás, mas melhor que o baixo nível registrado no início do ano passado.

Os preços mais altos das commodities vendidas pelo país aumentam a renda dos exportadores, injetando recursos na economia. A safra agrícola, que poderá ser recorde, tem efeito parecido, ajudando na recuperação de setores como o de máquinas.

A melhora dos preços das commodities também contribui para a valorização do real e, consequentemente, para a queda da inflação.

Depois de ultrapassar dois dígitos no ano passado, o IPCA (índice oficial de preços) recuou para 5,35% nos 12 meses encerrados em fevereiro, menor nível desde setembro de 2012.

Segundo Leonardo Fonseca, economista do Credit Suisse, a queda significativa da inflação nos últimos meses deve contribuir para que a recuperação iniciada no primeiro trimestre não seja efêmera, como o ensaio de retomada em meados do ano passado, que não se sustentou.

O recuo dos preços tem permitido ao Banco Central cortar juros a um ritmo mais rápido neste ano. Os dois fatores, de acordo com analistas, são as principais explicações para o aumento da confiança de consumidores e empresários, que também voltou para os níveis de 2014.

ENTRAVES

Fonseca e outros analistas dizem, no entanto, que a recuperação ainda é fraca.

“Inflação e desemprego em queda são os fatores que mais contribuem para o consumo”, afirma Aloisio Campelo, superintendente de estatísticas públicas da FGV.

Um dos problemas do Brasil é que o desemprego atingiu patamar recorde e continua subindo, o que freia o consumo e, portanto, a retomada do setor de serviços.

Outra barreira à recuperação, de acordo com Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas para América Latina do Goldman Sachs, é o endividamento ainda alto de famílias e empresas.

Esses são alguns dos motivos pelos quais “o Brasil continua longe de um círculo virtuoso de crescimento”, segundo Paulo Picchetti, um dos membros do comitê da FGV que determina o início e o fim das recessões no país.

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