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PF revela erro em investigação sobre grampo na cela de Youssef, diz a Folha

A Polícia Federal concluiu em fevereiro deste ano que houve erro na investigação sobre a instalação de um grampo ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef.

A Folha apurou que um relatório da PF revelou que a primeira sindicância sobre o caso apontava erroneamente que a escuta havia sido colocada antes da chegada do operador na sede da polícia em Curitiba, em março de 2014, e estava inativa.

Youssef foi preso na primeira fase da Operação Lava Jato, acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Um mês depois, em abril daquele ano, o doleiro encontrou o grampo em sua cela e seu advogado pediu uma apuração interna da PF, conduzida pelo delegado Mauricio Moscardi, da equipe responsável pela Lava Jato.

A apuração inicial se baseava no depoimento de um agente da PF, Dalmey Werlang, e em uma decisão judicial de 2008 sobre o antigo inquilino da cela, o traficante Fernandinho Beira-Mar.

Em seu testemunho, Werlang afirmava que o grampo já estava instalado quando o doleiro foi preso, mas não estava funcionando.

Quase um ano depois, o agente mudou sua versão. Em novo depoimento, acusou seus superiores de pedirem para que instalasse o equipamento sem autorização judicial –o que deu origem a nova investigação, desta vez conduzida pela Corregedoria da Polícia Federal.

O caso passou a ser foco de atrito entre integrantes da PF, com troca de acusações nos autos de processos.

Responsável pela primeira investigação, Moscardi afirma que foi induzido ao erro por um depoimento mentiroso de Dalmey Werlang.

O delegado se defende por esse testemunho não ter sido o único elemento para a sua conclusão. Segundo ele, a decisão judicial que autorizava grampear a cela quando ela era era ocupada por Beira-Mar resguardava as declarações do agente policial.

Werlang, por sua vez, insiste que foi coagido a instalar o grampo para Youssef, mesmo sem autorização judicial. Ele diz que sofreu ameaças para não falar a verdade no primeiro depoimento.

A cúpula da Lava Jato, que também foi ouvida nas investigações, nega qualquer irregularidade sobre o grampo.

NOVAS INVESTIGAÇÕES

Há ainda outros processos administrativos em andamentos para apurar a conduta de Dalmey Werlang. Ele chegou a pedir para se aposentar, mas a solicitação foi negada pela PF devido às sindicâncias abertas.

O agente agora pede que a Corregedoria investigue o trabalho de Moscardi à frente da primeira apuração sobre o grampo na cela de Youssef.

Quase dois anos depois, a PF ainda não concluiu a origem nem mesmo a data exata de instalação do grampo encontrado pelo doleiro.

Procurada pela Folha para comentar o caso, a Polícia Federal afirmou que não se manifestaria pois a lei “determina o sigilo de apurações disciplinares administrativas”.

Moscardi não respondeu aos questionamentos da reportagem. Werlang não foi localizado.

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