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‘Sem reforma, adeus Fies’, diz PMDB é o título de matéria no Estadão

Campanha do partido condiciona continuidade de programas sociais à mudança na Previdência

O PMDB lançou ontem nas redes sociais uma campanha em defesa da reforma da Previdência na qual relaciona um eventual fracasso da iniciativa ao fim de programas sociais federais. “Se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, diz um post divulgado na rede digital do partido.

O material foi produzido pela agência Benjamim Digital, do marqueteiro Lula Guimarães. Depois de comandar a comunicação da campanha vitoriosa do tucano João Doria em São Paulo no ano passado, ele foi contratado pelo PMDB.

A iniciativa foi tomada após o Palácio do Planalto detectar forte resistência à reforma no Congresso Nacional. Estudos de inteligência de rede e monitoramento de internet feitos pela legenda detectaram um predomínio da narrativa da oposição no debate virtual.

O pedido do PMDB aos especialistas foi adotar um tom “mais pesado” para colocar o outro lado da moeda “em evidência”.

Procurado pela reportagem, o líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (PMDB-SP), disse que não tinha conhecimento da campanha, mas apoiou a iniciativa. “Precisamos garantir a perpetuidade do sistema da Previdência. O nosso déficit é de R$ 150 bilhões e só aumenta. O compromisso do PMDB é sempre ajudar o governo a acabar com a crise e promover a retomada dos postos de trabalho. Não tive conhecimento dessa postagem mas essa é nossa posição frente as reformas.”

Terrorismo’. O PT reagiu à estratégia divulgando o material e acusando os adversários de desespero. “É uma campanha terrorista. Eles aprovaram aquela PEC 55 (do Teto) e agora estão desesperados porque precisam aprovar a reforma da Previdência, que é um verdadeiro atentado contra os mais pobres”, diz Carlos Zarattini (SP), líder do PT na Câmara. “Com isso, querem fazer os pobres optarem entre aposentadoria ou programas sociais.”

A ofensiva do PMDB se choca com as reiteradas promessas do presidente Michel Temer, de que na gestão dele os programas sociais não serão extintos. Em 2016, o presidente enviou uma carta ao Congresso Nacional na qual disse que os programas sociais são “prioridade” do governo.

O governo continua atuando ativamente para fortalecer os programas sociais. Estamos honrando os compromissos que não foram cumpridos no governo anterior e liberando a segunda parcela do que deveria ter sido pago em 2015”, disse a mensagem presidencial.

O presidente Temer disse, ainda, que o Poder Executivo trabalha “incessantemente” para que as famílias tenham melhora na renda. O discurso oficial é que em nenhuma hipótese programas como o Bolsa Família, Pronatec e Minha Casa, Minha Vida serão extintos.

TV. A reforma da Previdência também será um dos temas centrais da propaganda partidária do partido na TV, que será exibido no dia 30 de março. O presidente Michel Temer será o protagonista.

Será o primeiro programa do PMDB exibido em sua gestão. A ideia é aproveitar o espaço para vender a imagem de “reformista”, mas também exaltar uma “agenda positiva” do governo.

Medida popular. A peça de resistência será o saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), vista como a medida mais popular da sua administração até agora.

A propaganda partidária peemedebista será exibida 20 dias depois da liberação do primeiro lote do FGTS. Segundo a Caixa Econômica Federal, há 18,6 milhões de contas inativas, num total de R$ 41 bilhões. Como muitos cotistas têm mais de uma conta, o governo estima que 10 milhões de pessoas serão beneficiadas com a medida.

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