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‘Palavra de delator não é prova’, diz FHC é o título de matéria no Estadão

Ex-presidente defende Aécio Neves, citado por ex-executivo da Odebrecht, e afirma que adversários do PSDB difundem ‘notícias alternativas’

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu ontem em defesa do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, que foi citado por um ex-executivo da Odebrecht. “A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação”, afirmou o expresidente em nota oficial divulgada ontem.

O Estado mostrou ontem que o ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht Benedicto Júnior disse ter repassado, na campanha de 2014, R$ 9 milhões a políticos do PSDB e do PP e ao marqueteiro tucano a pedido de Aécio, então candidato à Presidência. Segundo Benedicto, a doação foi feita via caixa 2. O ex-executivo, um dos delatores da empreiteira, prestou depoimento anteontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Rio, no processo que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

FHC, que está em viagem ao exterior, questionou as delações e acusou “adversários do PSDB” de difundirem “notícias alternativas” nos depoimentos, que são sigilosos. Em sua mensagem, o ex-presidente tucano afirmou que o depoente “não fez tal declaração” em seu depoimento ao TSE e acusou a imprensa de ter sido usada “por quem não é criterioso”. “A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao País”, afirmou o ex-presidente.

Segundo FHC, “ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht (herdeiro do grupo e delator da Lava Jato que também prestou depoimento à Justiça Eleitoral), de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicouse a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa 2 para aliados”.

Serenidade’. “O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE. É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o País atravessa”, afirmou Fernando Henrique no comunicado.

Embora neguem a versão de caixa 2, advogados do PSDB solicitaram que os trechos dos depoimentos de Benedicto Júnior e de Marcelo Odebrecht nos quais Aécio é citado sejam excluídos dos autos do processo (mais informações nesta página).

A avaliação do ex-presidente tucano é de que “há uma diferença” entre quem recebeu recursos de caixa 2 para financiamento de atividades políticoeleitorais, erro que, segundo ele, precisa ser reconhecido e reparado, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, “crime puro e simples de corrupção”. “A desmoralização de pessoas a partir de ‘verdades alternativas’ é injusta e não serve ao País. Confunde tudo e todos”, disse FHC.

Também em nota divulgada ontem, a assessoria jurídica do PSDB seguiu a mesma linha e afirmou que “em nenhum momento” Benedicto Júnior relatou ter recebido pedido do presidente nacional do PSDB para fazer doação via caixa 2.

É lamentável que o pretenso vazamento de conteúdos sigilosos se transforme em tentativa de adulterar as declarações efetivamente prestadas em juízo pelo depoente”, disse a mensagem da legenda, que foi assinada pelos advogados José Eduardo Rangel de Alckmin e Flávio Henrique Costa Pereira

A defesa do PSDB ressaltou ainda que, em seu depoimento, prestado na véspera, Marcelo Odebrecht não mencionou “uma única” doação da empresa em favor da campanha presi-

dencial de Aécio em 2014 que tenha sido originada de caixa 2. Na quarta-feira, em Curitiba, Marcelo Odebrecht disse que Aécio pediu R$ 15 milhões às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial de 2014. Segundo relatos obtidos pelo Estado, no entanto, o empresário não especificou se o montante teria sido contabilizado como doação oficial ou caixa 2.

Especulação’. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que disputa com Aécio a vaga de candidato tucano ao Palácio do Planalto em 2018, minimizou o impacto das declarações do delator no cenário eleitoral.

“Primeiro, o Aécio já deu explicações e dará explicações que forem necessárias, não há razão para especulação”, disse.

Em caráter reservado, porém, aliados do governador avaliaram que o noticiário negativo “dificulta” o projeto de poder do presidente do PSDB.

Já o líder do partido na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), defendeu Aécio e criticou o “vazamento homeopático” de informações de delações premiadas da Odebrecht.

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