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Delatores contam que Odebrecht pagou apoio de partidos à chapa Dilma-Temer em 2014 é a manchete do Globo

Os depoimentos de três ex-dirigentes da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelaram que o PT teria garantido apoio de partidos à chapa Dilma-Temer em 2014 às custas de dinheiro doado por caixa 2 pela empreiteira. No que pode se tornar uma espécie de novo mensalão, os delatores contaram que pelo menos o pagamento a um desses partidos, o PDT, foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Além do PDT, O GLOBO confirmou que os depoentes relataram repasses ao PROS. O “Jornal Nacional” citou ainda o PCdoB, PP e PRB, legendas que garantiram à chapa Dilma-Temer tempo maior no horário eleitoral gratuito de TV e rádio. De acordo com as investigações da Lava-Jato, o total destinado pela Odebrecht a esses partidos chegou a cerca de R$ 30 milhões.


PDT TERIA RECEBIDO R$ 4 MILHÕES

 

No depoimento prestado ao TSE na última quinta-feira, Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, contou que partiu do ex-ministro Guido Mantega pedido a Marcelo Odebrecht para que partidos que apoiaram a reeleição de Dilma Rousseff recebessem dinheiro da empreiteira. Entre as legendas, segundo Reis, estava o PDT. Ele contou que ele próprio acertou com Marcelo Panella, que era tesoureiro do partido, o repasse de R$ 4 milhões, em agosto e setembro de 2014. O empresário explicou que o dinheiro era para pagar pelo tempo de TV do PDT, que não teve candidato a presidente e apoiou a reeleição de Dilma Rousseff.

Reis explicou que tinha uma relação com Panella e, por isso, fez o acerto. Segundo ele, Marcelo Odebrecht “foi acionado” por Mantega para doar os recursos ao partido ao qual Dilma foi filiada antes de ingressar no PT. O empresário afirmou que o orçamento disponível para a negociação era de R$ 7 milhões, mas que o PDT aceitou a primeira oferta, de R$ 4 milhões. O empresário afirmou ainda que outras legendas também receberam recursos, mas ressaltou que só atuou junto ao PDT pela relação com Panella.

O ex-presidente da Odebrecht Ambiental revelou em seu depoimento que o dinheiro do PROS foi repassado ao suplente de deputado federal Eurípedes Júnior, que é o presidente nacional da legenda. Não detalhou valores.

Na campanha de 2014, a chapa de Dilma e Temer obteve o maior tempo de TV: 11 minutos e 24 segundos de cada bloco de 25 minutos que ia ao ar. Bem mais do que os 4 minutos e 35 segundos da chapa de Aécio Neves (PSDB). Cada um dos 11 candidatos a presidente na época teve direito a um mínimo de 45 segundos. O restante era calculado de acordo com a quantidade de deputados de cada partido da coligação.

A chapa Dilma-Temer contava com nove legendas, das quais o PT, maior partido na Câmara, contribuiu com 2 minutos e 45 segundos. O PMDB de Temer foi responsável por 2 minutos e 18 segundos, seguido de PSD (1 minuto e 35 segundos), PP (1 minuto e 16 segundos) e PR (1 minuto). O PROS, citado por executivos da Odebrecht, contribuiu com 31 segundos. O PDT, também citado, engordou o tempo de TV de Dilma em 29 segundos. A coligação da ex-presidente contava ainda com PCdoB (27 segundos) e PRB (15 segundos). A soma não corresponde exatamente a 11 minutos e 24 segundos porque o cálculo também leva em conta frações de segundo.

O PDT nega qualquer acerto financeiro para apoiar a reeleição de Dilma. O presidente do partido, Carlos Lupi, disse que o empresário precisa, primeiro, provar o que está dizendo.

O PDT foi o primeiro partido político que declarou oficialmente apoio à chapa de Dilma Rousseff. Foi no dia 10 de junho de 2014, quando a então candidata foi ao partido em ato público amplamente divulgado pela imprensa. Isso já comprova, diante das datas apresentadas pelo delator, que o anúncio aconteceu meses antes do suposto pagamento. O PDT irá agir no âmbito da Justiça e tomar as medidas necessárias para que o delator comprove o que afirmou. Para nós está clara a tentativa de ganhar algum tipo de benefício contra seus crimes, inventando calúnias contra o PDT”, diz nota de Lupi.


PROS NEGA TER RECEBIDO DOAÇÕES ILEGAIS

 

Em nota, o PROS afirmou que todas as doações recebidas pelo partido foram declaradas à Justiça Eleitoral: “A direção nacional do partido desconhece as afirmações citadas e ratifica que suas movimentações financeiras estão dentro dos parâmetros estabelecidos pela justiça eleitoral”. Ao “Jornal Nacional”, o PRB negou que tenha recebido caixa dois da Odebrecht. O PR e o PT não quiseram se manifestar. O ex-ministro Guido Mantega foi procurado mas não respondeu ao GLOBO.

SENHAS PARA PDT ERAM NOMES DE JOGADORES

No depoimento que deu ao TSE, o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis deu detalhes da negociação financeira que fez com Marcelo Panella, tesoureiro do PDT. Contou que ficou responsável pela doação à legenda porque tinha relação com Panella. Segundo ele, o pagamento de R$ 4 milhões foi feito em quatro parcelas de R$ 1 milhão: duas em agosto e outras duas em setembro de 2014. As senhas para avisar da disponibilidade dos recursos eram nomes de jogadores do Fluminense, disse Reis, reforçando que o pedetista é tricolor. Outro dado curioso contado em seu depoimento é o de que Marcelo Odebrecht deu um orçamento de R$ 7 milhões para negociar com o tesoureiro do PDT. Fernando Reis disse que Panella aceitou de pronto a primeira oferta: R$ 4 milhões. Panella é conhecido dentro do partido, mas não é uma figura de proeminência nas rodas políticas de Brasília. Segundo pedetistas, ele tem uma vida profissional independente das questões partidárias. Sem trajetória de mandatos eletivos, chegou a se candidatar a suplente de senador, no Rio, em 2014, na chapa de Carlos Lupi, presidente do PDT, que concorreu à vaga principal. No entanto, renunciou à candidatura. Procurado por telefone e mensagens de celular pela reportagem, Panella não se manifestou. (Simone Iglesias)

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