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Reformas na economia são necessárias para reduzir juros estruturais, diz BC é o título de matéria na Folha

Ao mesmo tempo em que voltou a sinalizar a chance de um corte maior nos juros básicos na próxima reunião, o Banco Central enfatizou em sua ata do Copom (Comitê de Política Monetária) que o governo precisa promover reformas e ajustes que criem um ambiente propício a reduções mais acentuadas da Selic.

O documento da última reunião, em que a taxa foi reduzida em 0,75 ponto percentual, para 12,25% ao ano, foi divulgado nesta quinta-feira (2) e dividiu o mercado.

Parte dos analistas acredita que o Banco Central, na ata, acenou com mais ênfase do que no comunicado divulgado no dia da decisão que pode haver um corte maior, de 1 ponto percentual, a partir da próxima reunião.

A avaliação é que os juros básicos poderiam estar mais baixos, já que o cenário é de inflação sob controle, atividade econômica muito fraca e safras generosas, que jogam para baixo os preços dos alimentos no mercado interno.

“A ata da última reunião do BC […] deixou mais claro a possibilidade de aceleração no ritmo de corte de juros”, diz relatório da corretora XP Investimentos. No segundo grupo, estão os economistas que acreditam que o BC usou o documento divulgado nesta quinta para ressaltar que reduções maiores ainda não ocorreram porque há muitas incertezas pairando sobre a economia.

“O comunicado do Copom levou muita gente acreditar em um corte de 1 ponto percentual na próxima reunião. Essa ata levanta um ´vamos com calma´ em relação a essa conclusão”, avalia Maurício Molon, economista-chefe do banco Santander.

O BC diz no documento desta quinta que a condução da política econômica pelo governo, com aprovação de reformas fiscais e outros ajustes, são fundamentais para o que chama de redução da “taxa de juros estrutural”.

Essa taxa, destacou, depende de fatores como perspectivas para política fiscal, produtividade, melhor ambiente de negócios e redução do crédito subsidiado.

“[As estimativas para esses fatores] invariavelmente envolvem elevado grau de incerteza”, afirma a ata.

“Na minha opinião isso é o BC dizendo: se houver reformas e a taxa de juros estrutural cair, eu posso cortar mais”, disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

LIBERDADE

Sob pressão do governo para reduzir os juros básicos com maior intensidade, o BC falou em “liberdade” no documento ao justificar porque optou por um corte de 0,75 ponto percentual e não de 1 ponto percentual na última reunião.

“Os membros do Comitê debateram os próximos passos e manifestaram preferência por manter maior grau de liberdade quanto às decisões futuras, a serem tomadas em função da evolução do cenário básico do Copom”, afirma trecho da ata.

O comitê ponderou que, se o ritmo de cortes for intensificado, o ciclo de redução de juros terminará antes.

“O Banco Central está lidando com o dilema de que, se for mais devagar nos cortes, pode ir mais longe, estender mais o ciclo. Se for mais forte, esse ciclo pode não durar tanto”, afirmou Molon.

O Copom diz ainda que a economia brasileira possui hoje uma capacidade maior de absorver eventuais riscos de um cenário internacional que permanece incerto, como a política econômica de Donald Trump, nos EUA, e a economia da China.

“A economia brasileira apresenta hoje uma maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido ao progresso no processo desinflacionário e na ancoragem das expectativas”.

O corte de 0,75 ponto percentual da última reunião foi o segundo dessa proporção desde que o BC começou o ciclo de redução da taxa básica, em outubro.

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