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Raimundo Lyra é cotado para liderança do governo no Senado, diz o Valor Temer preserva espaço do PSDB e escolhe Aloysio para o Itamaraty

O presidente Michel Temer indicou ontem o atual líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Aloysio ocupará a vaga aberta com a saída do senador José Serra (PSDB-SP), que pediu demissão há nove dias. A escolha de outro tucano para o Itamaraty baseia-se em critérios pragmáticos, de olho nos votos dos tucanos na reforma da Previdência Social, num momento em que a sigla acabou de perder outra pasta relevante, o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Na próxima semana, Temer define o substituto de Aloysio na liderança do governo. Segundo interlocutores, ele conversará com lideranças tucanas e de seu partido, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para decidir se a vaga permanece com o PSDB ou vai para o PMDB. Se ficar com os pemedebistas, um dos cotados é o senador Raimundo Lira (PB), ligado a Eunício.

A posse está agendada para terça-feira à tarde, junto com a do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB). Havia nomes de diplomatas de carreira sobre a mesa de Temer. As principais alternativas eram o secretário-geral das Relações Exteriores, Marcos Galvão, e o embaixador em Washington, Sérgio Amaral, ligado ao PSDB.

Contudo, o presidente fez a opção política: o nome de Aloysio Nunes Ferreira, que presidia a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, gerou consenso na bancada tucana, embora o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) também fosse cotado.

A aposta de Temer é que manter a política externa sob a condução do PSDB assegura os votos das bancadas tucanas na Câmara e no Senado para a reforma da Previdência Social, e as futuras reformas trabalhista e tributária. Afinal, o aliado de primeira hora já havia perdido espaço na Esplanada com a indicação de um deputado do PMDB para o Ministério da Justiça, após a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na atual conjuntura, sob a turbulência da iminente quebra de sigilo das delações de executivos da Odebrecht na Operação Lava-Jato, que aflige o mundo político, retirar mais uma pasta dos tucanos poderia desestabilizar a aliança.

A opção por Aloysio começou a ser costurada na última sexta-feira, em sucessivas reuniões de Temer com o próprio Serra, além do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, ex-líder do PSDB na Câmara, e do presidente da sigla, Aécio Neves.

Além da boa relação com Temer e Serra, Aloysio é um quadro igualmente próximo aos dois principais caciques tucanos: o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) na chapa de quem foi candidato a vice-presidente nas eleições de 2014 e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que disputa com o mineiro a vaga de candidato da sigla à sucessão presidencial.

Há receio no governo, contudo, de que Aloysio se afaste do cargo em abril do próximo ano, para tentar a reeleição ou disputar outro cargo eletivo. Ao aceitar a missão, a expectativa no Palácio do Planalto é que o tucano desista da nova empreitada eleitoral. Do contrário, Temer teria de nomear um terceiro chanceler em seu curto mandato.

Na avaliação de autoridades do Planalto, essa hipótese de afastamento de Aloysio em abril do ano que vem demonstraria a falta de rumo da política externa do atual governo. E igualaria o governo Temer à marca da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve Antonio Patriota, Luiz Alberto Figueiredo e Mauro Vieira como chanceleres.

Aloysio Nunes Ferreira assumirá o cargo num momento em que o presidente Temer deve implementar uma política externa que se identifique com as diretrizes definidas por seu governo. Um dos eixos deve ser o reposicionamento das relações entre Brasil e Estados Unidos, num momento em que o presidente americano, Donald Trump, dá sinais de inflexão no discurso mais radical adotado durante a campanha eleitoral.

Além da abertura de mercados, outro tema que deve ganhar importância é a retomada de uma estratégia estruturada para tornar a América do Sul um espaço de influência do Brasil, no qual o país consiga usar sua capacidade econômica para exercer sua liderança. Atualmente, governos identificados ideologicamente com as gestões de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não desenvolveram boas relações com a administração de Temer. A avaliação no governo é que a postura adotada até agora pelo Itamaraty não ajudou a reinserir a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e alguns dos países que integram o bloco em um novo patamar na política externa brasileira.

Ontem mesmo o novo chanceler publicou um vídeo nas redes sociais. Falou em dar “nova vida ao Mercosul”, aproximar o bloco da Aliança do Pacífico e de um “entendimento” com a União Europeia”. “Penso que a política externa, neste momento em que o Brasil começa a sair de uma crise profunda, pode dar uma grande contribuição especialmente na área econômica, do comércio internacional e de investimentos”, disse.

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