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Para o Planalto, depoimento sob medida, diz O Globo

Para um governo que se vê envolvido em turbulências políticas quase que diariamente, ontem foi um dia sem sobressaltos no Palácio do Planalto. O depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seguiu o roteiro divulgado à exaustão pelo Palácio do Planalto. Fosse ensaiado com os advogados de Temer, a oitiva do ex-presidente da empreiteira não teria sido melhor.

O empresário deu detalhes do jantar no Palácio do Jaburu, em que foi recebido por Temer, contou ter ouvido um genérico pedido de ajuda financeira, sem detalhar valores, e tratado de amenidades. Um “shake hands”, como o herdeiro da maior construtora do país descreveu, poupando o presidente de maiores complicações.

O depoimento foi recebido com alívio no Planalto e acompanhado do discurso de que Marcelo apresentou “os fatos reais”. Partindo do princípio palaciano, da idoneidade do depoente, o que ele falar a partir de agora deve ser entendido como verdade às vésperas da divulgação das 78 delações feitas por ele e outros ex-diretores da empreiteira.

Poupado Temer, o empresário trouxe à luz informações novas sobre os R$ 10 milhões pedidos pelo ministro licenciado Eliseu Padilha (Casa Civil) para as campanhas do PMDB, especificamente para o grupo político do “cacique” Temer, nas palavras de Marcelo. Disse que o acerto dos valores e por qual empresa o dinheiro seria doado foi feito com Padilha, numa conversa anterior ao jantar, e outra no Jaburu, mas depois que o presidente foi para os seus aposentos.

De tesoureiro informal do PMDB, Padilha virou o escudo do presidente. Por isso, quando o assunto é o ministro licenciado da Casa Civil, as avaliações são feitas com cautela. Sobre os R$ 10 milhões, a explicação está na ponta da língua: sim, foi doado até mais dinheiro do que isso, exatos R$ 11,3 milhões das empresas Odebrecht e Braskem para as campanhas dos peemedebistas próximos a Temer, tudo registrado, alegam, na Justiça Eleitoral.

Em vez de adjetivar como frágil ou complicada a situação de Padilha, auxiliares presidenciais defendem que ele seja ouvido e tenha amplo direito de defesa. Lembram que não há nenhuma denúncia contra ele e, com isso, ele está fora da linha de corte estabelecida por Temer: de afastar temporariamente ministros que forem denunciados na LavaJato, e demitir os que virarem réus.

O que realmente preocupa o presidente é que Padilha é um dos últimos comensais do Jaburu que ainda não foi abatido em campo e o mais importante politicamente em meio à votação das reformas no Congresso. Aos auxiliares próximos, Temer deixou claro que não há (ainda) nenhum motivo para deixá-lo na chuva.

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