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No Itamaraty, Aloysio quer pauta econômica, diz O Globo

Indicado pelo PSDB para suceder José Serra, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDBSP), líder do governo no Senado, foi anunciado ontem como o novo ministro das Relações Exteriores. Com o anúncio, Temer definiu o último ministério ainda vago no governo. Na semana passada, o presidente escolheu o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a Justiça. Em sua primeira manifestação, o futuro chanceler anunciou que pretende ter atuação destacada na área de direitos humanos e que deseja dar nova vida ao Mercosul, aproximando o bloco da Aliança Para o Pacífico e da União Europeia.

O Brasil tem influência na política internacional a partir dos valores que são próprios do povo brasileiro, que são inscritos na Constituição: a defesa da paz, da Justiça, do meio ambiente, dos direitos humanos. O Brasil, em todos esse temas, tem muitas coisas importantes a dizer — disse Aloysio.

Por meio do porta-voz, Alexandre Parola, o presidente Michel Temer afirmou que o tucano “tem uma longa trajetória de engajamento nas causas da diplomacia brasileira e na agenda internacional do Brasil”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Aloysio disse que o comando do Itamaraty é um cargo “muito honroso”. — Espero não decepcioná-los nessa nova incumbência que assumo. Penso que a política externa, nesse momento em que o Brasil começa a sair de uma crise profunda, pode dar uma grande contribuição, especialmente na área econômica — disse Aloysio.

SERRA: NÃO VAI MUDAR NADA COM BOLIVARIANOS

O novo chanceler, no entanto, assume com um retrospecto que pode ser obstáculo na sempre sensível e fundamental relação com os Estados Unidos. Aloysio escreveu, um dia após as últimas eleições americanas, que Donald Trump era o “Partido Republicano de porre”. A afirmação foi feita no Twitter do senador no dia 9 de novembro.

Trump é o Partido Republicano de porre. É o que há de pior, de mais incontrolado, de mais exacerbado entre os integrantes de seu partido”, disse Aloysio Nunes. “Agora é observar como é que ele se comporta na Presidência dos Estados Unidos”.

Em dezembro, como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o tucano solicitou uma audiência pública para discutir os impactos no Brasil e no mundo da eleição de Donald Trump.

A eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos traz incertezas para o cenário internacional e impactos para o Brasil”, justificou o senador tucano em seu requerimento para a reunião.

Logo após o anúncio, o ex-chanceler José Serra reuniu-se com Aloysio durante duas horas e meia. Serra falou da política externa do governo Michel Temer, principalmente da abertura comercial e do esfriamento da relação com os chamados países bolivarianos, que marcou os governos Lula e Dilma Rousseff.

Serra afastou o Itamaraty dos países considerados autoritários na América Latina, como Venezuela e Cuba, e aproximou a chancelaria brasileira de Argentina e Colômbia. Como chanceler, Serra liderou um movimento para impedir que a Venezuela ocupasse a presidência do Mercosul, em função do recrudescimento da violação de regras democráticas do governo Nicolás Maduro.

Não vai mudar nada. O Aloysio, como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, foi o arquiteto daquela viagem de senadores da oposição à Venezuela, quando todos ficaram presos dentro de um ônibus no aeroporto, sem poder cumprir a agenda de visita aos presos políticos de Maduro. O Aloysio é um cara de altíssimo nível. Achei uma ótima solução — disse Serra, após o encontro com o futuro ministro das Relações Exteriores.

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