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Temer aposta em alta do PIB acima de 3% em 2018 é manchete do Valor

Após nove meses de governo, o presidente Michel Temer comemora a recuperação da economia “num prazo recorde que surpreendeu a nós mesmos” e projeta um crescimento de 2,8%, em dezembro, e de “mais de 3% em 2018”. A reação da economia, em sua opinião, deve-se sobretudo aos êxitos do governo no Congresso, com a aprovação de 52 de suas propostas, entre emendas constitucionais, projetos de lei e medidas provisórias, tudo negociado “sem agressividade, pautado pela ideia de diálogo”.

Temer voltou ao trabalho na manhã da Quarta-Feira de Cinzas. É hoje um presidente muito mais seguro de si do que em maio, quando assumiu o governo interinamente, ou mesmo em agosto, depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Tanto que trata da situação do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) dentro do padrão que estabeleceu para ministr

Dúvida o presidente tem entre escolher um político ou um diplomata de carreira para o Ministério das Relações Exteriores, decisão que espera tomar até o próximo sábado. Sobre a ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode lhe custar o mandato, é categórico ao comentar o assunto com interlocutores: “Nem coloco isso na cabeça, senão não governo”.

Temer aposta em vitórias no Congresso e alta no PIB

De volta ao escritório na manhã de Quarta-Feira de Cinzas, vindo do litoral baiano, onde passou os dias de Carnaval, o presidente Michel Temer encontrou o Palácio do Planalto fechado. Não sabia que não haveria expediente pela manhã. Pediu para que fosse aberta ao menos uma salinha para trabalhar, num palácio quase deserto de servidores e visitantes.

Após nove meses no cargo, o presidente sente-se seguro para decidir, acha que o governo fez o inimaginável em tão pouco tempo e se as reformas forem concluídas não tem dúvidas: será um grande “trunfo” para a coalizão governista nas eleições presidenciais de 2018. No terceiro andar, onde fica situado seu gabinete, os problemas evoluem em alas sequenciadas e bem organizadas.

O ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, protagonista da crise aguda do momento, gostaria de voltar ao trabalho na próxima semana, mas vai demorar um pouco mais. Menos pelos problemas em que foi envolvido pela denúncia de que recebeu dinheiro da Odebrecht e mais porque a cirurgia a que se submeteu na próstata foi mais extensa que o esperado. Temer espera contar com o amigo até o último dia de seu governo.

O presidente quer decidir esta semana, até amanhã, o nome do novo ministro das Relações Exteriores, no lugar do demissionário José Serra (PSDB-SP). Temer está dividido entre um diplomata experiente, Sergio Amaral, atual embaixador em Washington, e um político do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do governo no Senado. Em suas escolhas, Temer sempre calcula o que o candidato pode lhe oferecer em matéria de votos no Congresso, mas o nome do embaixador, também ligado ao PSDB, é forte. Ele quer pensar mais um pouco e dar posse ao novo chanceler junto com o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio.

Outra decisão importante que exige a atenção de Temer é a indicação do novo presidente da Vale, em substituição a Murilo Ferreira. Temer tem comentado que isso é um assunto dos acionistas, e que deixará para pensar nisso numa data mais próxima da substituição, em maio.

Com uma agenda leve, pós-carnavalesca, Temer aproveitou para almoçar no Palácio do Planalto, em sala contígua ao seu gabinete. Uma refeição frugal: salada, frango grelhado, carne, arroz branco e integral e feijão. De sobremesa, frutas e um pavê de creme e chocolate, de que se serviu duas vezes, com indisfarçável prazer.

Passa pela conversa a iniciativa do relator da ação de impugnação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, ministro Herman Benjamin, que incluiu vários outros depoimentos que não eram previsto e deverão alongar o processo. Temer não se sente paralisado com o andamento da ação que pode tirá-lo do cargo. Mas reconhece que esse é um fator de insegurança. Não para as articulações para aprovação de projetos no Congresso. Nas conversas com investidores o presidente também não tem notado preocupação com isso. Mas é um problema pendente, de qualquer forma. “Nem boto isso na cabeça, senão não vou conseguir governar”.

O TSE pode trilhar diferentes caminhos. Aceitar a procedência da ação, o que abrirá a possibilidade de recursos que alongarão o processo; separar as contas do candidato a presidente e do vice, o que muitos juristas consideram uma tese forte, ou declarar a improcedência, o que deixará a ex-presidente Dilma Rousseff com seus direitos políticos intocados, elegível em 2018, e Temer na cadeira de presidente da República. Temer é pragmático na análise do problema que ameaça o seu mandato já de curta duração.

O presidente está otimista com a aprovação da reforma da Previdência no primeiro semestre, na Câmara e no Senado. Essa reforma, reconhece, exige muita negociação e talvez o governo venha a ceder em alguns pontos. O aspecto mais crítico diz respeito às regras de transição. Seja como for, o presidente entende que a reforma ideal é a proposta que está no Congresso. E não se trata de nenhuma criação exótica: Na Argentina, a idade é 65 anos acrescida de um ano a cada dois anos, até o limite de 70 anos; em Portugal, é de 66 anos.

No almoço, Temer lembrou a seus convidados à mesa de um episódio ocorrido no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele era o relator da reforma da Previdência, que enfrentava uma forte reação do Congresso, tanto que o texto inicial foi derrotado por um voto. Os amigos lhe diziam: “Você nunca vai ser reeleito”. Temer, que tivera 70 mil votos na eleição anterior, na seguinte teve 206 mil votos. Por isso considera que as ameaças de perda de popularidade para deputados e senadores não passam de terrorismo. “As pessoas percebem que o Brasil está mudando sua concepção democrática”.

A situação criada pelos amigos José Yunes e Eliseu Padilha causa desconforto ao presidente. Mas ele entende que fixou critérios muito claros e objetivos para definição da permanência ou afastamento de ministros. Padilha, por enquanto, não se enquadra em nenhum deles nem foi denunciado nem virou réu.

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