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Indústria aponta reação da economia global, diz a Folha

Depois de um ano frustrante, a economia global começou a dar sinais de uma retomada mais vigorosa em 2017.

O setor industrial mostrou em janeiro seu melhor desempenho em mais de três anos.

Segundo estimativas do Itaú Unibanco, o Índice de Gerente de Compras (PMI) global atingiu 53,3 no mês passado, nível pouco acima dos 53,2 registrados em dezembro de 2013. (Índices superiores a 50 apontam expansão da atividade econômica.)

O PMI é observado pelos analistas como indicador para prever o desempenho da indústria no curto prazo porque é baseado em informações de executivos das empresas sobre o nível de estoques, novas encomendas e contratações de operários.

“Os indicadores correntes têm sido robustos. É um cenário oposto ao do início de 2016, quando os dados frustraram as expectativas de recuperação”, diz Artur Passos, economista do Itaú Unibanco.

EVIDÊNCIAS

Há sinais de melhoria em países desenvolvidos e emergentes.

Nos Estados Unidos, famílias e empresas parecem estar finalmente saindo do ciclo de alto endividamento que contribuiu para a crise financeira global de 2008.

Tanto a demanda doméstica britânica quanto a espanhola cresceram mais do que o previsto nos últimos meses, surpreendendo analistas que esperavam pior desempenho por causa da saída do Reino Unido da União Europeia.

O risco de uma desaceleração mais brusca da China também não se materializou.

Medidas do governo chinês para evitar esse cenário incluíram a injeção de recursos em setores como o imobiliário.

Isso levou a um aumento da demanda por commodities, cujos preços, que haviam atingido um nível muito baixo no primeiro semestre de 2016, estão se recuperando.

Essa tendência tem favorecido o Brasil, importante exportador de produtos básicos. O preço do minério de ferro dobrou desde que atingiu seu nível mais baixo, há 13 meses.

RISCOS

Analistas ressaltam, porém, que esse cenário benigno continua sujeito a riscos substanciais.

Uma das preocupações é com a possibilidade de atritos sérios entre os EUA e seus principais parceiros comerciais, como a China e o México, devido a medidas protecionistas tomadas pelo presidente Donald Trump.

“Não é nosso cenário principal, mas continua representando um risco substancial que teria muitas consequências negativas”, diz Passos.

A China é outra fonte de temores.

Segundo a consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), o crescimento chinês cairá de 6,2% em 2017 para 4,2% em 2018, em parte devido às medidas tomadas pelo governo para segurar o crédito e evitar que a bolha no setor imobiliário estoure de forma desordenada.

Apesar disso, a consultoria espera que o impacto negativo desse movimento seja amenizado pela mão forte do governo chinês, que evitaria a falência de grandes bancos.

Segundo Robert Wood, analista-chefe da EIU para América Latina, se o cenário de desaceleração ordenada não se confirmar, as consequências para o resto do mundo seriam bastante negativas.

“Haveria forte queda nos preços das commodities, particularmente as metálicas, prejudicando a América Latina e outras regiões”, diz Wood.

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