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Odebrecht confirma propina para obra de trem na Argentina, diz O Globo

A empreiteira Odebrecht confirmou que pagou propina para tocar a obra de um trem ligando Buenos Aires à cidade de Moreno, na região metropolitana da capital argentina. As informações estão na delação premiada da construtora, ainda sob sigilo, e foram divulgadas ontem pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. De acordo com a delação da Obebrecht, um dos envolvidos seria Angelo Calcaterra, primo do presidente da Argentina, Mauricio Macri, e sócio da empresa Iecsa.

Segundo o jornal, a Odebrecht não relatou pagamentos diretos a Macri. Mas envolve a Iecsa, que — juntamente com a Odebrecht, a espanhola Comsa e a italiana Ghella — é uma das construtoras responsáveis pela obra. A empresa teria pago propina e alimentado o caixa dois de integrantes dos governos da família Kirchner, que ficou na presidência da Argentina entre 2003 e 2015.

Os Kirchner são adversários de Macri, que veio a assumir a presidência argentina em dezembro de 2015. Mas a Iecsa pertenceu a Franco Macri, pai do presidente argentino, até 2007. Procurado pelo jornal para comentar o caso, Macri respondeu que não poderia opinar sobre uma obra realizada nos governos Kirchner e tocada por uma empresa que não é dele.

As suspeitas de irregularidades na obra do trem já tinham sido levantadas pela Polícia Federal ao longo da Operação Lava-Jato. Um relatório da PF, de junho do ano passado, já trazia e-mails trocados por executivos da Odebrecht indicando pagamento de propina. Eles estavam num backup de Mauricio Couri Ribeiro, executivo da construtora. Um dos e-mails é intitulado “Reunião com Sánchez Caballero”, numa referência a Javier Sánchez Caballero, da Iecsa.

O e-mail, de 9 de junho de 2010, aponta que um dos temas da reunião marcada para o dia seguinte seria “DGI’S – Contacto directo”. Segundo a Polícia Federal, a sigla era usada para se referir a pagamentos ilícitos, inclusive aqueles ligados ao Setor de Operações Estruturadas. Essa divisão da Odebrecht ficaria conhecida, ao longo das investigações da Lava-Jato, como o departamento da propina da empresa. Outro e-mail, de 29 de abril de 2010, com o título “Reunion Sarmiento”, aponta pagamentos de US$ 20 milhões (cerca de R$ 62 milhões na cotação de hoje) identificados pela sigla DGI.

Em fevereiro de 2016, a PF já suspeitava de irregularidades na obra. Um despacho do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava-Jato na primeira instância, apontou que a polícia verificou, “em pesquisa em fontes abertas, que na época dos fatos a Odebrecht ‘estava na iminência de assinar um aditamento do contrato do Soterramento do Ferrocarril Sarmiento, celebrado diretamente com a Secretaria de Transportes’”.

Ao jornal “O Estado de S.Paulo”, a Odebrecht disse apenas que deseja colaborar com a Justiça e esclarecer sua participação em irregularidades. A Iecsa não foi localizada.

Em 21 de dezembro, a Odebrecht firmou um acordo com as autoridades do Brasil, Estados Unidos e Suíça. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que Odebrecht e Braskem repassaram US$ Operação já revelou R$ 4 bi em propinas glo.bo/2lsdPXu 1 bilhão (R$ 3 bilhões) em propina a autoridades, políticos, partidos e empresas no Brasil e em outros 11 países da América Latina e da África. Só na Argentina, a empresa contou que pagou US$ 35 milhões (R$ 109 milhões) de propina, e, em troca, ganhou US$ 278 milhões (R$ 864 milhões).

FACHIN DECIDIRÁ SOBRE SIGILO

As delações dos executivos da Odebrecht foram homologadas em 30 de janeiro pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. Com isso, os depoimentos poderão ser usados pelo procuradorgeral da República, Rodrigo Janot, para pedir a abertura de novos inquéritos. A delação segue em sigilo, para preservar as investigações. Mas, uma vez instaurados os inquéritos, Janot deverá pedir o fim do sigilo. A dúvida é se os depoimentos virão a público aos poucos ou de uma vez. Ao todo, 77 executivos e exexecutivos da Odebrecht decidiram colaborar com a Justiça, interrompendo a tática de negar irregularidades. A decisão de levantar o sigilo, após o pedido de Janot, caberá ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF.

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