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Mudanças na Vale tornarão ações mais fáceis de negociar, diz o Globo

Segundo especialistas, proposta de acionistas tornará mais fácil a negociação de papéis da mineradora A semana que passou foi muito significativa para a Vale: na segunda-feira, a companhia anunciou um novo acordo com os acionistas, e, na sexta-feira, seu presidente, Murilo Ferreira, informou que deixará o cargo em maio. Ainda não se sabe quem irá substituí-lo e o anúncio de sua saída não deve mudar a estratégia da empresa, segundo analistas. Mas o acordo de acionistas é visto como positivo para os quase 140 mil pequenos investidores que detêm papéis da mineradora na Bolsa de Valores de Paulo (Bovespa), na avaliação de analistas de bancos e corretoras. É um consenso entre os especialistas que a nova estrutura tornará a Vale menos vulnerável à influência do governo e elevará o padrão de sua governança corporativa, além de tornar seus papéis mais líquidos —isto é, mais fáceis de comprar e vender na Bolsa.

Apresentada na segunda-feira, a proposta prevê a pulverização do controle da empresa de modo a poder listá-la no Novo Mercado, o mais alto nível de governança da BM&FBovespa. Espera-se que isso ocorra dentro de três anos. Até lá, a estrutura societária da Vale passará por um período de transição, em que os atuais acionistas no bloco de controle perdem poder, e o Conselho de Administração da empresa ganha autonomia. Durante esse período, o momento mais importante para os investidores pessoas físicas será a unificação das ações da companhia. Isso porque o acordo prevê que as ações preferenciais de classe A (PNA, que não têm direito a voto e são as preferidas dos pequenos aplicadores) serão transformadas em ações ordinárias (ON, com direito a voto).

A conversão será voluntária e feita com base na relação de 0,9342 ação ON por cada PNA. Segundo Felipe Silveira, analista da corretora Coinvalores, a taxa é neutra, não representando ganhos ou perdas financeiras relevantes para os acionistas. O analista explica que os minoritários terão prazo de 45 dias — a previsão é que seja entre 18 de junho e 30 de julho — para aderir ou não à conversão.

MUITO POSITIVO PARA O PEQUENO ACIONISTA’

Por enquanto, porém, resta aos acionistas esperar. Os detalhes da operação só serão determinados em assembleia prevista para 11 de junho. Quem tem ações da Vale por meio de fundos do FGTS não precisa se preocupar porque a adesão será feita pelo fundo, observa Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos.

Eles precisam de uma adesão mínima de cerca de 54% das ações. Mas o presidente da Vale já disse que, caso haja uma demanda muito grande, a conversão pode virar obrigatória. Se não houver demanda suficiente, o que é pouco provável porque o acordo foi bem avaliado pelo mercado, resta a dúvida: ou a Vale cria um outro formato de conversão ou redesenha o acordo de acionistas, o que é improvável — afirma Silveira, da Coinvalores.

Segundo a avaliação da corretora, não há motivo para resistir à conversão:

O acordo beneficia principalmente os acionistas minoritários, porque ele pulveriza o controle, diminui o risco de ingerência estatal, aumenta a governança e, ao estabelecer que todas as ações serão ordinárias, estimula a demanda de investidores estrangeiros, que preferem essa classe de papéis — explica Silveira.

Soares, da Ativa, lembra que o novo acordo vai impor uma diluição de 3% aos minoritários. Em tese, toda diluição é negativa, mas Soares observa que o desconto é residual e “muito inferior ao ganho que o acionista vai ter em termos de governança.” Leandro Correa, analista do banco BTG Pactual, concorda, ressaltando em relatório que a diluição é “muito razoável (justa), dados todos os benefícios oferecidos.”

O novo acordo é, sem dúvida, muito positivo para o pequeno acionista. Nos últimos tempos, ocorreu um descasamento muito grande entre as ações da Vale e da Bradespar (acionista da mineradora), justamente pela dúvida com relação à renovação desse acordo. Havia o temor de que, caso ele não fosse renovado, os fundos de pensão fizessem uma oferta de compra e acabassem levando a uma reestatização da companhia. Esse medo acabou, e a mineradora saiu de um cenário de piora muito grande da governança para um de melhora substancial — explica o analista da Ativa.

A conversão de todas as ações em ON é necessária porque o Novo Mercado da BM&FBovespa só aceita empresas cujo capital seja composto exclusivamente por esse tipo de papel. Segundo Soares, não está claro o que acontece se poucos acionistas se negarem a converter os papéis:

De qualquer forma, esse pessoal ficaria com um papel sem nenhuma liquidez nas mãos, já que ninguém iria querer comprá-los. Mas é claro que alguma solução será encontrada para viabilizar a entrada da Vale no Novo Mercado.

PROPOSTA DEVE SER APROVADA

O analista Marcos Assumpção, do banco Itaú BBA, destacou em relatório que “os acionistas minoritários serão beneficiados pela potencial criação de uma verdadeira corporação, com membros independentes, direitos de tagalong para todos e maior liquidez.” Tag-along é a cláusula segundo a qual, em uma eventual venda do controle da companhia no futuro, todos os acionistas têm direito a vender seus papéis pelo mesmo valor acordado na transação, evitando que apenas um pequeno grupo de sócios seja beneficiado. Essa é um das regras do Novo Mercado, assim como a exigência de que o conselho de administração da empresa seja composto por pelo menos cinco membros e que 20% deles sejam independentes e com mandato de até dois anos.

Apesar do fato de que possamos ver alguma resistência com relação ao prêmio pago aos acionistas controladores (que vão ganhar 10% a mais de participação em troca de cessão do controle) nas próximas semanas, acreditamos que a proposta será provavelmente aprovada pelos minoritários”, conclui Assumpção.

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