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Temer aposta todas as fichas da gestão no apoio parlamentar, diz a Folha

Os últimos movimentos do presidente Michel Temer evidenciaram a aliados que seu governo deixou em segundo plano a tese de que buscaria quadros “notáveis” para apostar todas as fichas na montagem de uma equipe que tenha como principal função agregar apoio do Congresso à sua gestão.

A explicação para a escolha, segundo aliados, vem da certeza de que Temer precisa apostar no discurso de que deixará “um legado reformista”, bancando medidas que considera imprescindíveis, mas que são difíceis de aprovar, como as reformas trabalhista e da Previdência.

Hoje, aliados e adversários admitem que Temer conseguiu montar uma base invejável, com o apoio certeiro de 60 dos 81 senadores e 300 dos 513 deputados.

Parte desse capital foi conquistado pela troca de cargos no governo, mas há, garantem aliados, componentes da personalidade de Temer que o ajudam a transitar com facilidade no Legislativo.

Os parlamentares com mais experiência dizem que Temer é o único presidente desde Fernando Henrique Cardoso que vai buscar pessoalmente na sala de espera os que aguardam uma audiência com ele.

Nem FHC (PSDB), nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmam, faziam o mesmo gesto, que é visto por eles como uma demonstração de respeito.

Temer também tem o hábito de telefonar pessoalmente para deputados e senadores para agradecer votos de medidas que considera importantes e para dar boas novas.

O senador Agripino Maia (DEM-RN) lembra de ter recebido uma ligação na qual o presidente lhe informou que uma taxação adicional sobre o sal vindo do Chile havia sido incluída em uma medida provisória.

O adicional sobre o preço do produto estrangeiro era visto por produtores do Estado de Agripino, o Rio Grande do Norte, como indispensável para dar alguma competitividade ao sal potiguar. “Ele salvou a indústria do sal do Rio Grande do Norte”, afirma o senador.

Esse cuidado no trato com os parlamentares delineia a diferença mais marcante no estilo de Temer e de sua antecessora, a ex-presidente Dilma Rousseff, por vezes acusada de negligenciar seus aliados no Congresso.

TINTA NA CANETA

Mas mesmo pessoas alertam que a opção de Temer por fiar sua administração no apoio parlamentar pode ter um custo alto para o presidente num futuro próximo.

A explicação é simples: as reformas que ele pretende aprovar são impopulares, o que aumenta o poder de barganha dos deputados. “A cada dia que passa a caneta do Michel tem menos tinta”, diz um deputado do PMDB.

À medida que 2018 se aproxima, ele afirma, os olhos dos deputados se voltam para as urnas e aumenta a ameaça de uma rebelião na base contra medidas do governo em nome da tentativa de reeleição.

Por isso o esforço do presidente em manter ao seu lado o PSDB, principal aliado no Congresso, e conter insatisfações em seu partido, o PMDB, agraciado nesta semana com a pasta da Justiça.

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