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Governo tenta conter ala do PMDB insatisfeita, diz o Estadão

O presidente Michel Temer oficializou ontem o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) como novo líder do governo na Câmara no lugar de André Moura (PSC-SE). Na tentativa de apaziguar o PMDB e estancar a revolta de outras alas do partido que ficaram descontentes com a nomeação do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça, Temer criou o cargo de líder da maioria, que será ocupado pelo peemedebista Lelo Coimbra (ES).

Moura, que estava em rota de colisão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve ir para a Procuradoria Parlamentar. Transferido para outro posto, Moura – remanescente do antigo “Centrão” – não deve atrapalhar o governo, avaliou o Palácio do Planalto.

Para o Planalto, não há riscos à aprovação de projetos importantes, como a reforma da Previdência, na reação negativa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), à nomeação de Serraglio.

Mesmo tendo sido eleito para o cargo com 265 votos, fontes palacianas concluem que ele está isolado na bancada do PMDB e que seu “rompimento” não será capaz de promover estragos. “Para ele levar companheiros que votaram com ele para uma posição contrária ao governo existe uma distância muito grande”, afirmou um auxiliar de Temer.

A bancada mineira defendia o nome do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) para a Justiça. “É a primeira vez na história do Brasil que Minas não tem nenhum espaço no primeiro escalão, o que não desilustra o Osmar. O presidente Temer precisa explicar para a gente qual é a razão para não ter ninguém de Minas Gerais. É pouco compreensível isso”, afirmou um peemedebista.

O principal motivo que leva o governo a apostar que não há perigo à vista são os cargos ocupados pelos indicados da bancada do PMDB na Câmara. Os seis deputados da bancada mineira, que se diz preterida, têm, hoje, postos importantes em Furnas e no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) – qualquer ato de “rebeldia” estará sujeito à perda dos cargos.

Descontentes. Embora o Planalto dê como resolvida a crise com o PMDB na Câmara, deputados da bancada ainda demonstram descontentamento. Os peemedebistas consideram que não foram contemplados à altura e avaliam que a indisposição de Ramalho pode prejudicar as votações de interesse do governo no futuro.

Como na ausência de Temer a Presidência da República é ocupada por Maia, caberá a Ramalho comandar os trabalhos da Câmara, incluindo a pauta de votações. Ramalho é classificado como “inofensivo”, mas há o temor de que ele seja manipulado pela oposição. “Fabinho vai ser usado como foi (o ex-vice-presidente da Câmara) Waldir Maranhão (PP-MA)”, declarou um deputado.

A primeira crítica que os peemedebistas fazem é sobre a criação do cargo de líder da maioria, posto que ainda não uma função prática definida na Casa. “Estamos falando de uma liderança de nada. Ela só serve para o brio pessoal de alguém”, completou outro deputado.

Já a promoção de Serraglio para a Esplanada também não tende a resolver a briga dos peemedebistas por espaços. Eles reclamam que a pasta não dá visibilidade para o PMDB e que os demais partidos da base aliada “continuam crescendo” no governo. Avaliam ainda que Serraglio contempla apenas uma ala peemedebista, que tem em suas fileiras Coimbra e o ex-relator da PEC do Teto Darcísio Perondi (PMDB-RS).

O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), minimizou o racha na bancada do partido. “A bancada do PMDB saiu absolutamente fortalecida para fazer avançar as reformas que são fundamentais para a recuperação da economia”, disse.

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