Noticias

Propina abastecia esquema do PMDB, diz MP é o título de matéria no Globo

Na 38ª fase da Operação Lava-Jato, chamada Blackout e deflagrada ontem, a Polícia Federal mirou um operador financeiro ligado ao PMDB que atua na Petrobras desde a década de 1980: Jorge Luz. Ele e seu filho Bruno Luz teriam movimentado US$ 40 milhões em propina, agindo como intermediários de agentes públicos e políticos, a maioria senadores, segundo a investigação.

A atuação de ambos, como detalhou o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Diogo Castor de Mattos, ocorria principalmente na diretoria Internacional da Petrobras, mas também em serviços esporádicos na diretoria de Abastecimento e de Serviços da estatal.

Sem detalhar ou citar nomes, Mattos reforçou que os destinatários da propina são “pessoas que ainda estão no cargo, gozando de foro privilegiado”.

O despacho do juiz Sérgio Moro lembra que Luz e seu filho já tinham sido citados em depoimentos dos ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. Cerveró disse que, após a negociação da primeira sonda, chamada Petrobras 10.000, em 2006, se comprometeu a repassar — por meio de Jorge Luz e o lobista Fernando Baiano — US$ 5,5 milhões de dólares para Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), em troca do apoio do PMDB para permanecer na diretoria Internacional.

Já Paulo Roberto Costa contou que, em 2008, Jorge Luz lhe apresentou uma empresa americana, fornecedora de asfalto, que acabou sendo contratada pela Petrobras. Pelo contrato, a companhia teria pagado “comissão” a Costa de US$ 192,8 Lobista é o alvo da Blackout glo.bo/2mql0zr mil e também a Luz, que repassou parte dos recursos a outro político.

Jorge e Bruno Luz tiveram a prisão preventiva decretada e são considerados foragidos da Justiça. De acordo com o despacho de Moro, Bruno deixou o país em 16 de agosto, sendo seguido por seu pai em 11 de janeiro. Os dois estariam nos Estados Unidos, segundo fontes da PF. Moro pediu a inclusão de ambos na lista vermelha de procurados da Interpol. A defesa dos acusados disse ontem que eles vão antecipar as passagens de volta para que possam se entregar às autoridades “no menor tempo possível”. Os advogados Gustavo Teixeira e Rafael Cunha Kullmann afirmaram que os acusados não são foragidos porque já tinham passagem de retorno agendadas anteriormente. Além de Jorge e Bruno Luz, um terceiro operador teve pedido de prisão revogado ontem por Moro após decidir negociar delação premiada com o MPF. Trata-se de Apolo Santana Vieira, que era um dos donos do jatinho que caiu e provocou a morte do candidato à Presidência em 2014 Eduardo Campos.

Segundo o MPF, os operadores agiam com auxílio de inúmeras empresas de fachada criadas no Brasil, offshores e com verbas enviadas para contas na Suíça e Bahamas. Foi por meio da cooperação internacional da Lava-Jato que se pode chegar ao destino do dinheiro e, assim, a uma série de provas que levaram aos mandados de prisão cumpridos ontem.

Pode haver relação desses operadores com outros delatores e crimes além dos indicados na representação de hoje. Mas, em princípio, as provas robustas estão nessa frente da representação — explicou o delegado da PF Maurício Moscardi.

Em nota, na manhã de ontem, o expresidente do Senado e atual líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), confirmou que conhecia Jorge Luz, mas que não o via há 25 anos. Em um primeiro momento, assessores haviam dito que o senador não encontrava o operador há dez anos — versão depois classificada como “um erro”. No comunicado, Renan frisou que “a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é igual a zero”.

CORRUPÇÃO, FRAUDE E LAVAGEM

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) afirmou que jamais teve relacionamento com Jorge Luz e acredita que tenha sido apresentado a ele em 1983. Já o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), negou envolvimento com os operadores. Em nota, ele ainda destacou que Jorge e Bruno “não têm relação com o partido e nunca foram autorizados a falar em nome do PMDB”.

Ligados a parlamentares do PMDB e a funcionários da área internacional da Petrobras, Jorge e Bruno Luz criavam oportunidades de negócios para empresas nacionais e multinacionais em troca de comissão a ser dividida com parlamentares.

Segundo a PF, os dois vão responder por crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Conteudo originalmente postado no Portal :

Deixe uma resposta