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Juro ao consumidor sobe em janeiro, apesar de cortes na Selic, diz O Globo

No momento em que o Banco Central (BC) acelerou o corte dos juros básicos e deixou o dinheiro mais barato para os bancos, as instituições financeiras cobram mais dos seus clientes. Os empréstimos ficaram mais caros para famílias e empresas brasileiras em janeiro. Os dados do BC mostram que os bancos pagaram 0,5 ponto percentual a menos pelos recursos no mês passado (9% ao ano) e os repassaram aos clientes com 0,8 ponto percentual a mais (a 32,8% ao ano, em média). Isso em quadro de inadimplência praticamente estável.

A taxa média cobrada das pessoas físicas aumentou 0,3 ponto percentual no mês e chegou a 41,9% ao ano. Nesse caso, a inadimplência das famílias — que caiu durante os três últimos meses de 2016 — voltou a crescer: aumentou 0,1 ponto percentual, atingindo 4%.

ROTATIVO FICA MAIS CARO

Se a taxa média cobrada pelos bancos já é elevada, os juros cobrados nos contratos com crédito livre, sem contar os financiamentos da casa própria, chegarão a 72,7% ao ano. Houve um aumento de 1 ponto percentual no mês. Apesar de ser comum uma alta das taxas em janeiro — porque pessoas físicas e jurídicas têm despesas extras e procuram crédito emergencial —, a expansão das taxas surpreendeu.

O arrocho ocorreu no mesmo mês em que o Comitê de Política Monetária (Copom) resolveu acelerar o corte da taxa básica de juros (Selic). Em janeiro, o comando do BC diminuiu a Selic em 0,75 ponto percentual — em outubro, o corte havia sido de 0,25 ponto. Na última quarta-feira, houve mais uma redução, também de 0,75 ponto. Com isso, a Selic chegou a 12,25% ao ano: 2 pontos percentuais abaixo da taxa que vigorou de julho de 2015 até outubro de 2016.

Considerando-se a tendência de juros menores ao consumidor e sinais de retomada da economia, a alta das taxas dos bancos em janeiro surpreendeu. Ela reverteu um quadro de dois meses consecutivos de queda. No entanto, os analistas esperam juros menores daqui para frente.

Para o futuro, esperamos que as condições de crédito permaneçam um pouco exigentes, mas devem começar a diminuir gradualmente na margem, apoiadas pelos sinais de estabilização econômica e do ciclo de alívio da taxa do Banco Central — estima o economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

No mês em que o governo anunciou mudança na política do rotativo do cartão de crédito, que entrará em vigor em abril, os bancos não apenas aumentaram os juros cobrados nesse tipo de modalidade como apertaram ainda mais o custo do crédito parcelado. Segundo o BC, a taxa do rotativo subiu 2,2 ponto percentual, atingindo 486,8% ao ano, a maior desde que a instituição começou a registrar os dados, em 2011.

‘MOVIMENTOS MENSAIS’

Em janeiro, o BC proibiu que clientes fiquem mais que 30 dias no rotativo. Deu a possibilidade de transformar esse tipo de crédito em parcelado. Naquele mês, os bancos aumentaram os juros cobrados no crédito parcelado do cartão. O custo passou de 153,8% para 161,9% ao ano — também o maior desde o início da série histórica do BC, em 2011.

Perguntado se os bancos já teriam feito um movimento de aumentar os juros do parcelado para compensar a medida do BC, o chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária, Túlio Maciel, disse que não:

Não tenho essa percepção. Acho que (o aumento da taxa do parcelado) reflete mais movimentos mensais.

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