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Taxa de juros cai para 12,25 % ao ano, diz o Estadão

O teor do comunicado do Banco Central (BC), que anunciou a redução de 0,75 ponto porcentual na Selic, para 12,25% ao ano nesta quarta-feira, 22, deixa as portas abertas para um corte maior na próxima reunião, em abril. Porém, analistas ouvidos peloBroadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ponderam que o mais provável ainda é uma nova diminuição de 0,75 pp, uma vez que os cenários de atividade econômica e de inflação devem se manter estáveis nos próximos meses.

O trecho do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que, segundo os economistas, abre a possibilidade para um corte maior na próxima reunião é o que diz que “uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”.

Um dos que viram a chance de uma redução de um dígito no próximo encontro do Copom é o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall. Para ele, com a inflação bem ancorada no centro da meta e a tendência de os indicadores econômicos, cujos sinais são mistos, terem maior peso nas decisões do Copom, se tornou “bastante plausível” a hipótese de intensificação no corte da Selic para o ritmo de um ponto porcentual.

Mesmo assim, Kawall reafirma que a possibilidade não está contemplada em seu cenário-base, que prevê, para este ano, mais dois cortes de 0,75 ponto porcentual, seguidos por três de meio ponto e um de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 9% no fim de 2017. Em 2018, o ritmo, nas previsões de Kawall, deve seguir em 0,25 ponto porcentual em quatro reuniões, com a taxa indo para 8% ao ano.

A intensificação do ritmo depende de “surpresa positiva na inflação, ou negativa na atividade econômica”, avalia o economista-chefe do Santander, Maurício Molon. Por isso, o banco mantém sua expectativa de corte de 0,75 pp na próxima reunião. O economista Leandro Padulla, da MCM Consultores, tem visão semelhante. “As projeções do boletim Focus para o PIB pararam de piorar, o que sinaliza que a atividade não está surpreendendo para baixo. Ao mesmo tempo, também não trabalhamos com novas surpresas na inflação”, disse.

Para o ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola, a redução de 0,75 pp não surpreendeu e um novo corte, no mesmo passo, é esperado para o próximo encontro, em abril. “Não haveria razão para mudar o ritmo de corte na Selic, que já tinha sido alterado em janeiro. Tudo indica, e é o que esperamos, uma nova queda também de 0,75 ponto porcentual na próxima reunião”, disse.

A manutenção do ritmo de flexibilização na reunião de hoje, além de ter sido uma decisão tomada com base nos indicadores, também retrata a vontade do Copom de não surpreender o mercado, avalia o economista e sócio-diretor da 4E Consultoria, Juan Jensen. “Depois da surpresa de janeiro, quando a queda (de 0,75 pp) foi maior que a esperada, de (0,50 pp), o Copom não quis surpreender”, afirmou. 

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