Noticias

Partido articula candidato para se opor a Janot, diz o Valor

Lideranças do PMDB no Congresso articulam nos bastidores o apoio a um nome forte para se contrapor a uma possível recandidatura do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Eles vêm conversando entre si e com líderes de outros partidos, como PT, PP e PSDB, sobre a candidatura da subprocuradora-geral Raquel Dodge. O mandato de Janot termina em setembro deste ano e, até agora, ele vem fazendo insinuações sobre uma possível recondução.

O Valor apurou que a candidatura de Raquel conta com o apoio de nomes como o do ex-presidente José Sarney que chegou a ser alvo de pedido de prisão de Janot e do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Lideranças de outros partidos também vêm recebendo elogios de pemedebistas à subprocuradora.

Raquel já se lançou como pré-candidata à lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e é considerada um dos nomes favoritos da categoria. Nas eleições passadas, em 2015, ela ficou em terceiro lugar na lista tríplice, atrás de Janot e do subprocurador-geral Mário Bonsaglia, agora também candidato à sucessão de Janot.

Após as eleições entre os membros da categoria, a lista será encaminhada ao presidente Michel Temer no fim de junho. Desde 2003, a tradição é que o presidente nomeie o primeiro colocado para comandar o Ministério Público. Mas essa prática não é prevista em lei e, por isso, a cada renovação na PGR se especula que o presidente poderá escolher o segundo ou o terceiro colocados ou até mesmo alguém fora da lista.

Raquel é tida como uma procuradora eficiente, reconhecida por sua atuação nas áreas criminal e de direitos humanos. Ganhou notoriedade em 2009 durante a condução da Operação Caixa de Pandora, que desmantelou o esquema conhecido como “mensalão do DEM”. Integra o Conselho Superior do Ministério Público, que reúne lideranças importantes da categoria. Recentemente, teve atuação importante no movimento contrário à aprovação da PEC 37, que impedia o Ministério Público de fazer investigações criminais.

Apesar de benquista entre os colegas, a simpatia do PMDB ao nome de Raquel Dodge tem alarmado alguns senadores, que veem em recentes movimentos no Planalto e no Congresso uma tentativa de barrar o avanço da Operação Lava-Jato.

O Valor apurou que um grupo de senadores de diversos partidos, tidos como independentes do governo Michel Temer, já se articula para iniciar um movimento pela recondução de Janot. A lei não estipula limites quanto ao número de vezes em que um procurador-geral pode ser reconduzido, apesar de a tradição desde o governo Lula ser de apenas uma recondução.

“É um movimento de fora para dentro, para tentar convencê-lo a concorrer”, diz um senador desse grupo, para quem a permanência de Janot é uma “garantia” de que a Lava-Jato seguirá forte.

Outro senador disse ao Valor que o grupo está tentando uma audiência com Janot para depois do Carnaval. No encontro, disse, pretendem questioná-lo sobre uma suposta demora em apresentar denúncias contra alguns alvos da Lava-Jato. O tema da recondução também será tratado.

Com quebra de sigilo das delações da Odebrecht esperada para depois do Carnaval, esse grupo espera que se intensifiquem os movimentos para sabotar a operação. “A partir de agora, vai aumentar o desespero desses que estão mais ameaçados”, diz. “Esse pessoal vai querer melar as investigações.” Um terceiro senador compara a situação de Janot à de Franklin Roosevelt, presidente americano reeleito para um quarto mandatos no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Deixe uma resposta