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Lava-Jato terá cooperação inédita entre Brasil e Uruguai é a manchete do Globo

Autoridades brasileiras e uruguaias farão parceria inédita para investigar uma das maiores redes de lavagem de dinheiro sujo procedente do Brasil. O ponto de partida é a descoberta do esquema usado pelo ex-governador Sérgio Cabral para esconder em paraísos fiscais cerca de US$ 100 milhões ganhos ilegalmente. Um dos envolvidos nas operações de Cabral, o advogado Oscar Algorta, de Montevidéu, é dono de 180 empresas offshore no Uruguai e no Panamá, supostamente criadas para esconder o patrimônio e a movimentação de recursos de clientes secretos. 

O pedido de cooperação entre os dois países, prestes a ser apresentado pelo Ministério Público Federal do Brasil, alcança o Uruguai no momento em que o país discute mudanças na legislação para livrar-se do estigma de paraíso fiscal. O governo local tem prazo até o ano que vem para provar ao Grupo de Ação Financeiras sobre Lavagem de Dinheiro (GAFI), espécie de xerife dos mercado financeiro internacional, que está abandonando a cultura do segredo. Caso contrário, voltará à lista dos países lavadores, de onde foi retirado no ano passado sob a condição de mudar.

Se o Uruguai não cooperar, terá enormes problemas com o GAFI —afirmou ao GLOBO o secretário nacional Antilavagem do governo, Carlos Diaz.

SECRETÁRIA ENVOLVIDA NA CALICUTE

O nome de Oscar Algorta, dono do Estúdio Algorta (escritório de advocacia), apareceu nas investigações da Operação Calicute, versão da Lava Jato no Rio, quando os investigadores descobriram que uma secretária do advogado, María Esther Campa Solaris, figurava como titular de uma conta no banco Pictet & Cie, com sede em Genebra, onde Cabral teria escondido US$ 10 milhões (R$ 31,2 milhões). Algorta também é acusado de ter ajudado o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró a lavar dinheiro na compra de um apartamento de R$ 7,5 milhões em Ipanema, no Rio, em 2009.

Obtida pelo GLOBO, uma carta endereçada a Algorta reforça as suspeitas de que o advogado integra um cartel dedicado a remessas secretas do Brasil. No documento, o brasileiro Enrico Vieira Machado, operador financeiro, acusou um exsócio, o doleiro Dario Messer, de operar a “maior rede de lavagem de dinheiro” do Brasil, envolvendo escândalos políticos. De acordo com o autor, as operações de Messer usariam duas casas de câmbio no Uruguai, “uma conduzida de forma legal para dar cobertura a outra, maior e de dimensões multinacionais, que é conduzida de maneira totalmente ilegal, tanto no Uruguai quanto em qualquer outro país”.

Enrico Machado, que rompeu a sociedade com Messer de 2013, afirmou na carta que três empresas uruguaias, Doucet, Blostock e Greenwood, eram usadas para esquentar o dinheiro sujo originado do Brasil. A carta foi remetida no dia 18 de dezembro de 2013, no contexto da briga com o ex-sócio. Foi uma resposta a outro documento, assinado por Algorta um dia antes, na condição de diretor de uma empresa de Messer, a Cito Overseas LTD, no qual o advogado uruguaio exigiu a transferência de ativos mantidos em fundo de investimentos administrado por Enrico, o Freefly Fund, entre os quais 2,9 milhões de ações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Machado apontou na carta quatro brasileiros como responsáveis pelas operações de Messer no Uruguai: “Toni, Vinicius, Najun e Sergio”. Um deles seria Vinícius Claret Vieira Barreto, o “Juca Bala”, nome citado por dois delatores premiados da Calicute, os irmãos Renato e Marcelo Chebar. Doleiros, eles revelaram que, quando o esquema de propina de Cabral ficou grande demais, em 2007, tiveram de chamar Juca Bala para assumir as operações de lavagem. Até então, Renato e Marcelo usavam operações dólar-cabo (entrega de valores em reais no Brasil para que fossem creditados recursos em dólar no exterior) usando a própria clientela.

O criminalista Jorge Barrera, que advoga para Algorta, negou que o cliente esteja envolvido em esquemas de lavagem. O advogado, porém, não foi encontrado pela reportagem.

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