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Declaração sobre voto do PMDB na Previdência abre polêmica, diz O Globo

Causou mal-estar entre os partidos da base aliada e entre o próprio PMDB a declaração do ministro Moreira Franco de que o PMDB não precisa fechar questão em relação à reforma da Previdência, publicada ontem em entrevista ao jornal “Valor Econômico”. A proposta de mudança no sistema previdenciário é considerada a mais delicada pelo governo do presidente Michel Temer no Congresso. Líderes desses partidos dizem que o PMDB, partido de Temer, tem que dar o exemplo de apoio incontestável, senão afrouxará a posição de quem tem dificuldade com suas bases na votação de pontos impopulares.

O presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR), divulgou nota negando que o o partido vá liberar os parlamentares na votação da reforma da Previdência. Segundo ele, Moreira Franco emitiu uma opinião pessoal.

O PMDB afirma que não tomou nenhuma posição. Ao contrário, o partido tem discutido com a bancada federal da Câmara dos Deputados a possibilidade de fechamento de questão, assim como foi feito na votação da PEC (proposta de emenda constitucional) que limita os gastos públicos. Tal assunto também não foi tratado pelo diretório executivo nem pelo presidente do partido, senador Romero Jucá”, diz a nota.

O ministro Moreira Franco, um quadro excepcional do PMDB e do governo, ao se manifestar apenas emite uma posição pessoal que será levada em conta no debate. No entanto, a estratégia de votação da reforma da Previdência, que é de vital importância para o país, será discutida no momento adequado dentro do PMDB e com os partidos aliados.”

O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB), do PSDB, principal partido de apoio ao governo Temer, disse que a declaração de Moreira foi “um exemplo ruim”:

Se o PMDB abre questão na reforma da Previdência, os demais partidos da base também se sentirão no direito de liberar o voto.

Presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara, o deputado Carlos Marum (PMDB-MS) disse que o PMDB tem responsabilidades, por ser o partido de Temer:

Na bancada (do partido), vamos fechar questão. O PMDB tem grande responsabilidade na aprovação das reformas, e não vamos vacilar. Acho que o ministro Moreira foi mal interpretado. Deveria estar se referindo a fechamento de questão no Diretório Nacional, para o qual é preciso reunião da Executiva.

O presidente nacional do Democratas, José Agripino (RN), também se declarou surpreso com a posição de Moreira Franco.

O ministro, por sua vez, divulgou um comunicado dizendo que não é tradição do partido fechar questão sobre temas no Congresso. Mas ressaltou que sua declaração foi apenas “uma observação de natureza pessoal”.

Eu tenho uma longa militância no PMDB e no MDB. O partido, na sua história, nunca fechou questão. Sempre usamos a política para convencer as pessoas, formar as maiorias e, às vezes, até a unanimidade. (…) Não quis ultrapassar ou sobrepor a autonomia da bancada da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou da direção partidária. Se prevalecer a maioria pelo fechamento da questão, estarei na linha de frente defendendo essa posição partidária”, afirmou.

IRRITAÇÃO NO PLANALTO

No Palácio do Planalto, a declaração de Moreira Franco causou estranheza e irritação. Uma fonte comentou que a bancada do PMDB sempre demonstrou a disposição de que vai fechar questão pró-reforma. Se isso não acontecer, a avaliação é que será muito difícil aprovar a medida no Congresso.

Em sua conta no Facebook, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou claro seu ponto de vista sobre o tema: “O que o ministro Moreira Franco quis dizer é que não será fácil fechar questão no PMDB em relação à reforma da Previdência.”

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