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Treinado para guerra, Moraes enfrenta clima ameno, diz O Globo

 Conhecido por não medir palavras, candidato ao Supremo se esquivou das poucas provocações da oposição

Considerado falastrão, o ministro Alexandre de Moraes foi treinado por aliados e assessores para não cair em provocações da oposição na sabatina feita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, majoritariamente composta por governistas. Foi preparado para a guerra, mas nem mesmo as perguntas sobre questões pessoais e do governo o fizeram sair do script desenhado para manter a tranquilidade, focar nas questões jurídicas e evitar polêmicas. Foram mais de dez horas de uma sabatina de tom ameno, sem emoção, morna e sem grandes momentos de tensão ou dificuldades para o futuro substituto do ministro Teori Zavascki, morto num acidente aéreo.

A estratégia do relator, Eduardo Braga (PMDB-AM), foi se adiantar e inquirir Moraes sobre questões constrangedoras, como suposta ligação de seu escritório com organização criminosa de São Paulo, denúncia de plágio em sua obra jurídica, suspeita de envolvimento na Operação Acrônimo e posições manifestadas sobre a Operação Lava-Jato, quando era ministro da Justiça.

— O prato apimentado foi antecipado pelo relator, que deu ao Alexandre a oportunidade para esvaziar os temas mais espinhosos logo no início. Depois disso a oposição ficou chovendo no molhado e ele tirou de letra — disse o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Integrantes da CCJ, como o presidente Edison Lobão (PMDB-MA), sejam investigados ou réus no STF, tiveram participação discreta, sem questionamentos polêmicos. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), esteve na comissão no inicio da sabatina, mas não fez perguntas. O senador Benedito de Lira (PMDB-AL), indiciado na Lava-Jato junto com o filho, deputado Arthur Lira (AL), fez perguntas sobre temas genéricos, como a liberação da vaquejada.

Fora da comissão, entretanto, ficou irritado ao ser questionado se tinha medo da participação de Moraes em um provável julgamento seu no STF.

— Medo por quê? Minha filha, entenda de uma vez por todas, eu não tenho nada com essa porra de Lava-Jato. Eu só teria que ter medo se as doações de campanha forem consideradas ilegais — reagiu Benedito de Lira, muito irritado. 

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