Noticias

Para analistas, governo registrou superávit em janeiro, diz o Valor

Depois do déficit de R$ 60,1 bilhões do governo central em dezembro do ano passado, o governo deve ter voltado a registrar saldo positivo nas contas públicas em janeiro. Segundo estimativa média de 17 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, o governo central (Tesouro, BC e Previdência) registrou superávit primário de R$ 6,8 bilhões em janeiro, resultado melhor do que o observado em dezembro, quando o pagamento de restos a pagar levou o governo a registrar o segundo maior déficit da história.

O número é, no entanto, bem inferior ao superávit registrado em janeiro do ano passado, quando o saldo foi positivo em R$ 14,8 bilhões, já que naquele mês houve ingresso de receitas extraordinárias que não se repetiram no início deste ano.

As estimativas para o número, que o Tesouro divulga amanhã, variam de saldo negativo de R$ 2,2 bilhões a superávit de R$ 22,9 bilhões. Em 12 meses, o rombo deve subir para R$ 166,9 bilhões no período, depois de alcançar R$ 154,3 bilhões no ano passado.

Na sexta-feira, o BC publica o resultado primário do setor público consolidado, com contas dos Estados e municípios. A expectativa de 17 economistas é que o resultado do setor público consolidado seja positivo em R$ 11,1 bilhões no mês. Em 12 meses, contudo, o rombo nas contas deve alcançar R$ 171,2 bilhões, ou 2,6% do PIB.

Para economistas, o principal fator a explicar a expectativa de superávit menor do que em igual período do ano passado são as receitas extraordinárias com as concessões de hidrelétricas, que renderam R$ 11,4 bilhões para os cofres públicos em janeiro de 2016.

Descontado esse evento, a expectativa é de resultado um pouco melhor da arrecadação em janeiro, que ainda não foi divulgada pela Receita. Nas contas de Fabio Klein, economista da Tendências, a receita deve ter alcançado R$ 136,5 bilhões no mês passado, uma alta real de 0,1% em relação ao mesmo período de 2016.

Segundo reportagem do Valor, dados preliminares do Siafi, o sistema que contabiliza as receitas e despesas da União, mostram alta de mais de 1% da arrecadação no mês passado, principalmente por causa do bom desempenho do Imposto de Renda e da CSLL. A arrecadação de tributos diretamente relacionados ao nível de atividade, no entanto, parecem ter continuado a mostrar desempenho ruim.

Para Klein, como seus modelos não apontam grande crescimento do recolhimento de impostos e ainda há a receita extraordinária de 2016, a receita líquida deve ter caído em relação ao ano passado, de R$ 124 bilhões para R$ 119,8 bilhões. A Tendências estima superávit de R$ 1,7 bilhão em janeiro e déficit de R$ 148 bilhões no ano.

Para o setor público consolidado, a consultoria projeta resultado um pouco melhor no mês passado, de R$ 14,1 bilhões, principalmente por causa de diferenças metodológicas em relação à contabilização das despesas com equalização de juros e subsídios, que tendem a impactar o resultado de janeiro e julho, no caso da apuração do BC.

Para o Santander, que projeta superávit de R$ 17,7 bilhões para o resultado que será divulgado pelo BC, o número também é resultado da expectativa de saldo positivo nas contas dos governos regionais no período. O banco estima estabilidade da dívida bruta no mês passado, em 69,5% do PIB.

Deixe uma resposta