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Juros futuros recuam à espera do Copom é o título de matéria no Valor

Os investidores do mercado de juros chegam à decisão do Copom desta quarta-feira com posições adicionais a favor de um corte mais agressivo da Selic.

Os juros caíram de forma generalizada, puxados por agentes locais. O estrangeiro, segundo operadores, segue à parte do mercado, observando algum risco de ajuste depois de ter perdido a melhora verificada nas últimas semanas.

A queda dos juros incluiu todos os vencimentos da BM&F. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) que vence em janeiro de 2019 e que reflete as expectativas para a trajetória da Selic ao longo de 2017 e 2018 caiu abaixo de 10% ao ano. Na mínima, foi a 9,98%. Num passado recente, é o primeiro contrato de DI a cair a um dígito.

“É apenas um número, mas de qualquer forma reflete a ideia de que o caminho dos juros no Brasil é para baixo”, diz o operador de renda fixa da Renascença Luis Laudisio. Segundo ele, o DI para janeiro de 2019 abaixo de 10% é condizente com as estimativas de algumas casas de uma Selic de um dígito ainda neste ano.

Horas antes da decisão do Copom, o IPCA-15 de fevereiro, que será divulgado junto com a abertura do mercado, pode mexer com as apostas para a Selic.

Nos contratos de juros DI, o mercado reforçou apostas em queda de até 1 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira. O mercado começa a sessão embutindo 20% de probabilidade de redução de 1 ponto, contra 18% anteriormente. A aposta majoritária é de alívio em 0,75 ponto.

Embora a maioria dos economistas acredite em manutenção do ritmo de corte (de 0,75 ponto percentual), vários deles já não descartam um Copom mais agressivo neste mês.

O Bank of America (BofA) espera alívio de 0,75 ponto, mas vê espaço para uma aceleração da velocidade da queda “até neste encontro”. David Beker, economista para Brasil e que integra a área de estratégia de renda fixa do banco, espera que, independentemente da decisão, o comunicado do Copom venha “dovish” (favorável a redução). Para ele, o cenário mais provável é que a decisão seja unânime, mas que o texto do comunicado revele um debate sobre a intensificação no ritmo de cortes da Selic.

“Isso pode levar o mercado a precificar mais cortes à frente”, afirma ele. “Mesmo se o Banco Central mostrar conforto com o atual ritmo de 0,75 ponto, vemos crescentes riscos em torno da manutenção dessa velocidade nas próximas reuniões.”

No mercado de câmbio, a quarta-feira pode ser mais agitada, com a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, BC americano). O documento será divulgado no dia seguinte a uma série de comentários de membros do Fed. As declarações foram consideradas “hawkish” (pró-aperto monetário).

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,11%, cotado a R$ 3,0911. Algumas casas, como BNP Paribas e UBS, apostam que a moeda americano terminará o ano perto desse nível, enquanto outras não descartam que, temporariamente, a moeda rompa esse suporte no curto prazo.

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