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Contra Lava-Jato, Jucá vai da suruba à Inquisição, diz O Globo

Presidente do PMDB ameaçou magistrados e atacou a mídia

Investigado pela Lava-Jato, o presidente do PMDB e líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (RR), deixou o pudor de lado e partiu para o enfrentamento. Em uma escalada, nos últimos sete dias ele tentou blindar os presidentes da Câmara e do Senado, atacou a imprensa, ameaçou magistrados e integrantes do Ministério Público.

Jucá chegou a usar a palavra “suruba” para comentar a possível mudança nas regras do foro privilegiado para os políticos. Essa proposta está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF). Em retaliação, ele ameaçou aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para retirar esse benefício de magistrados e integrantes do Ministério Público.

Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada — disse, anteontem, o presidente do PMDB ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Ontem, Jucá justificou que estava brincando:

Numa conversa com um jornalista amigo sobre o fim do foro, eu disse que não podia valer só para o Legislativo. Eu brinquei que assim não dá, senão vira a música dos Mamonas (Assassinas), a suruba portuguesa.

O líder do governo no Congresso disse ainda que defende “a modernização de uma lei que ficou anacrônica”, e que a queda do foro deve valer também para o Judiciário e o Executivo, não só para o Legislativo.

No mesmo dia da “suruba”, anteontem, um descontrolado Jucá atacou, em discurso na tribuna do Senado, a imprensa, cujo trabalho comparou ao nazismo, ao fascismo, à Inquisição e à Revolução Francesa, ao se queixar de supostas condenações sumárias.

Está parecendo que estamos vivendo o período da Inquisição, quando alguém gritava “ele é um bruxo!”, e, em uma semana, estava na fogueira — disse ele.

Jucá negou também que a PEC protocolada por ele, na semana passada, e depois retirada, tivesse a intenção de obstruir a Lava-Jato. A proposta dava aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF o direito de não serem investigado por fatos anteriores ao mandato, enquanto no cargo, o que já existe para o presidente da República. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), foram citados em delações.

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