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Cabral vira réu pela quinta vez e soma 332 atos de lavagem, diz o Valor

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) tornou-se réu pela quinta vez, ontem. O Ministério Público Federal ofereceu nova denúncia contra ele por 148 crimes de lavagem de dinheiro e acusou também o ex-assessor da Casa Civil Ary Filho e Carlos Miranda apontado como um dos operadores financeiros do esquema. Já denunciado por 184 atos de lavagem, o ex-governador responderá por um total de 332 delitos de ocultação de valores, e ainda por corrupção passiva e organização criminosa. Já são quatro ações criminais na 7ª Vara Federal Criminal do Rio e uma no juízo de Curitiba.

Nesta nova ação, Ary Filho também é acusado de pertinência à organização criminosa, apontado como integrante do esquema de desvios de recursos públicos que seria liderado por Cabral. A última denúncia apresentada contou com informações dos delatores Alberto Quintaes, ex-superintendente comercial da Andrade Gutierrez no Rio, e Adriano José Reis Martins, dono de uma rede de concessionárias de automóveis no Estado.

A acusação é resultado da Operação Mascate e aponta que Cabral, Ary Filho e Carlos Miranda lavaram dinheiro de três modos, em 148 oportunidades: por transferências bancárias de empresas de um doleiro para a Gralc/LRG Agropecuária, de propriedade de Carlos Miranda (com falsa justificativa de prestação de serviços de consultoria); pela compra de veículos para a organização criminosa; e pela aquisição de imóveis por intermédio de uma empresa usada no esquema, segundo o MPF.

Os delatores apresentaram provas documentais de transações de R$ 10,17 milhões, ocorridas de 30 de agosto de 2007 a 28 de setembro de 2015.

O MPF diz que os réus ocultaram a propriedade de um Camaro conversível, avaliado em R$ 222,5 mil e de uma Grand Cherokee Limited, avaliada em R$ 212,8 mil, além de sete imóveis no valor de R$ 6,3 milhões. Ary Filho entregava o dinheiro em espécie, que depois era usado pelos delatores para pagar serviços de fachada e adquirir bens em nome de suas próprias empresas, de acordo com a investigação.

Ontem, Cabral foi ouvido por videoconferência da cela que ocupa, em Bangu 8, em ação popular que tramita na Justiça estadual do Rio e apura se o ex-governador usou indevidamente helicópteros do Estado durante seu mandato.

No depoimento ele reconheceu que usava as aeronaves para viagens particulares à sua casa em Mangaratiba, na Costa Verde Fluminense, nos fins de semana.

Cabral levava ainda convidados e políticos nos helicópteros do Estado. “Podem ter havido situações excepcionais”, disse à juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes, da 8ª Vara de Fazenda Pública.

O ex-governador justificou a presença de parentes nos voos por questão de segurança. “Havia uma informação do gabinete militar de ameaças, havia uma necessidade nesse sentido”, afirmou.

Cabral tinha três helicópteros à disposição, segundo depoimento de um piloto ouvido no processo.

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