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Mobius: Brasil volta a grau de investimento em 2 anos é o título de matéria no Globo

O megainvestidor Mark Mobius, presidente executivo da Templeton Emerging Markets Group, avalia que o Brasil pode recuperar o grau de investimento em dois anos com a evolução das condições da economia. Além disso, acredita na possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) crescer a uma taxa de 5% já no ano que vem.

São várias reformas, investimentos em infraestrutura, fluxo de recursos para o país, um balanço de pagamentos positivo e uma perspectiva melhor da relação entre dívida e PIB. Além disso, tem a melhora no preço das commodities. Com tudo isso, é provável ter o grau de investimento em dois anos — explicou o investidor, em conversa com jornalistas ontem.

O grau de investimento é um selo de bom pagador que as agências de classificação de risco atribuem a empresas ou países. O Brasil ganhou este selo em 2008, mas, com a piora das contas públicas e o baixo crescimento do PIB, perdeu-o em 2015.

Otimista, a Templeton projeta que a economia brasileira cresça 0,5% em 2017, saltando a 5% no ano que vem. Projeção muito superior à média dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, que apontam para um crescimento de 2,3% em 2018.

A base está muito baixa, então é razoável pensar em um crescimento maior para o ano que vem, com a retomada da confiança. Um crescimento de 5% é muito possível — explicou ele.

Na sexta-feira, Mobius encontrou-se com a equipe econômica e ouviu os planos do governo para a área de infraestrutura, que prevê concessões e parcerias com a iniciativa privada em rodovias, aeroportos e outras obras.

Se sair metade do que está previsto, o programa de infraestrutura pode ser um grande impulso para a economia — disse.

A Templeton faz a gestão de US$ 27 bilhões aplicados em mercados emergentes, dos quais 70% estão alocados na Ásia e cerca de US$ 2 bilhões na América Latina, sendo US$ 1,2 bilhão no Brasil. Desde novembro, a gestora está aumentando a exposição ao país. O setor preferido é o bancário, mas ele vê boas chances em ações do setor de consumo.

Em sua visão, os efeitos da Lava-Jato já foram incorporados pelo mercado, e o que importa agora é a capacidade de se fazerem as reformas e seus impactos na economia, e não quem está no governo. Em relação ao câmbio, ele vê o real um pouco acima do adequado — R$ 3,20 seria a cotação ajustada, diz. Ontem, a moeda fechou a R$ 3,09.

Sobre o governo Trump, ele acha que pode ser positivo para a economia global, se o plano do republicano de fato gerar empregos e estimular o PIB americano.

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