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Delator chamava Cunha de ‘vesgo’ e Funaro, de ‘maluco’, diz O Globo

Não era apenas a empreiteira Odebrecht — cujos executivos tiveram acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — que costumava identificar políticos por apelidos. O gosto e a criatividade também eram compartilhados pelo empresário Alexandre Margotto, que firmou um acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF). O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, era o “vesgo”. Seu ex-sócio, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, era o “maluco”. E Fábio Cleto, ex-vicepresidente da Caixa, era frequentemente chamado de “Rapaizim”. Além disso, tanto Margotto como Cleto costumavam reclamar que Funaro não era bom pagador, atrasando os repasses prometidos.

O acordo de delação premiada de Margotto — em que ele expõe irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa — foi homologado na semana passada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. Segundo os termos do acordo, ele se comprometeu a falar de irregularidades envolvendo Cunha, preso atualmente em Curitiba; o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima; o ex-ministro do Turismo Henrique Alves; e os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e do frigorífico Friboi.

Funaro, que era o operador de Cunha e está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, também é exposto na delação de Margotto. Os dois eram sócios e, pelas mensagens entregues por Margotto ao MPF, alternavam momentos de amor e ódio. Ora trocavam palavras amistosas, ora se xingavam, principalmente quando Margotto reclamava que estava sem dinheiro.

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