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Márcio Lobão já apareceu em delação, diz O Globo

A participação da família do senador Edison Lobão na distribuição de propina da Usina de Belo Monte foi detalhada por Flávio Barra, ex-executivo da Andrade Gutierrez que assinou acordo de delação premiada. No depoimento colhido em junho de 2016, Barra contou que a maior parte do dinheiro de propina destinada ao PMDB foi paga por meio de doações eleitorais. Segundo ele, Edison Lobão indicou o filho, Márcio Lobão, como o contato para receber dinheiro destinado ao partido. Márcio é um dos alvos da Operação Leviatã, deflagrada ontem.

Como nenhum dos representantes do consórcio conhecia Márcio Lobão, o executivo fez reuniões individuais, de meia em meia hora, no prédio da Andrade Gutierrez no Rio de Janeiro, para apresentá-lo aos executivos das empreiteiras. Barra disse que chegou a entregar a Márcio Lobão, a pedido do pai dele, R$ 600 mil em dinheiro. O encontro foi combinado por WhatsApp, e o próprio Barra afirma ter levado o valor até o apartamento de Márcio, na Avenida Atlântica, no Rio.

Outro delator das irregularidades em Belo Monte, Luís Carlos Martins, da Camargo Corrêa, que também integrou o consórcio, disse que R$ 2 milhões foram repassados a Lobão por meio de falsos contratos de consultoria e de “doações eleitorais” ao PMDB.

Segundo Martins, o valor que cabia ao PMDB foi pago por meio de contratos falsos de consultoria com a empresa AP Energy — um de R$ 1,2 milhão e outro de R$ 1,2686 milhão. Outro executivo da empresa, Dalton Avancini teria ficado responsável por providenciar os pagamentos diretamente ao PT. Juntos, PT e PMDB teriam dividido 1% do valor da obra da usina.

A AP Energy fica em Santana do Parnaíba (SP), EM endereço já conhecido pela Lava-Jato por abrigar empresas de fachada descobertas pelo esquema de fraudes na Petrobras. Segundo relatório da Polícia Federal, nas eleições de 2010, 2012 e 2014, as empresas que fizeram parte do consórcio construtor de Belo Monte doaram R$ 159 milhões a candidatos do PMDB por meio de seus diretórios e comitês financeiros. Em sua colaboração, o ex-senador Delcídio do Amaral afirmou que a propina de Belo Monte teria como destino caciques do PMDB no Senado: Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho e Valdir Raupp.

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