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Padilha minimiza e reafirma _ existência de balcão por cargos, diz O Globo

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, tentou minimizar ontem suas declarações divulgadas na véspera, nas quais tratou abertamente do balcão montado pelo governo para entregar ministérios em troca de apoio parlamentar. O ministro disse achar “absolutamente normal” que, num presidencialismo de coalizão, o PMDB garanta apoios em partidos da base aliada em troca de participação no governo. Ele disse que “todos os partidos” trabalham assim:

Todos os governos que fazem composição com vários partidos colocam a participação de outras legendas no governo. Foi o que nós fizemos, o PMDB sozinho não iria governar. Aliás, a história política brasileira depois da reabertura democrática tem mostrado que o presidencialismo é de coalizão, vários partidos sempre vão apoiar o governo e com isso eles têm participação, o que é mais do que normal, absolutamente normal.

Em áudio divulgado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, durante palestra da Caixa Econômica Federal, o ministro disse que o presidente Michel Temer aceitou a indicação de Ricardo Barros, feita pelo PP, para o Ministério da Saúde, como parte da estratégia de composição da base parlamentar do governo. A intenção inicial era a de indicar um médico paulista para a Saúde.

Ao responder se valia até mesmo indicar para a pasta um nome sem experiência no assunto, o ministro disse acreditar que partidos da base indiquem gestores que conheçam a máquina pública.

Quem é gestor publico, quem já passou por vários estamentos da estrutura pública… Eu fui prefeito, secretário, ministro, por certo que, em tese, conheço bem como funciona a máquina do estado. Esperávamos e esperamos que todos aqueles partidos aliados da base também indiquem pessoas com essa mesma qualificação — explicou.

ESTAMOS MAL CONTEMPLADOS” As cenas de pleitos paroquiais são explícitas. Com o nome do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) praticamente descartado para o Ministério da Justiça — ele já fez críticas ao Ministério Público e às delações premiadas —, Temer recebeu das mãos do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), uma lista de reivindicações do PMDB de Minas.

Entre os pedidos da bancada estão o asfaltamento de rodovias que cruzam o estado e a solução para a dívida de Minas com a União. Reclama, ainda, que Minas já tem um prejuízo de mais de R$ 90 bilhões pelo tempo que ficou sem receber ICMS. Em documento assinado pelos deputados, pedem uma solução financeira e criticam a Lei Kandir, que tinha o objetivo de incentivar exportações, mas os estados argumentam que tira receitas.

O nome para a Justiça a gente sugeriu, mas isso a gente vai exigir. Vamos votar com o governo de acordo com o tanto que Minas for atendido. Estamos muito mal contemplados desde os governos passados — disse Ramalho.

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