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Atender pedido de Lula foi ‘sandice’, diz Delcídio é o título de matéria no Valor

O ex-senador Delcídio Amaral disse ontem ter cometido uma “sandice” ao atender um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar que o empresário José Carlos Bumlai fosse citado na Operação Lava-Jato. A afirmação foi feita em depoimento à Justiça Federal de Brasília, em processo no qual Delcídio, Lula, Bumlai e outras quatro pessoas são acusados de obstrução de Justiça.

Em quase quatro horas, o ex-senador repetiu o que já disse em seu acordo delação premiada, no qual confessou ter atuado para evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró firmasse acordo com a Lava-Jato. O ex-senador respondeu a perguntas do Ministério Público, do juiz Ricardo Augusto Leite e dos advogados dos demais réus.

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O maior embate deu-se com os defensores de Lula e de Mauricio Bumlai, filho do empresário, acusado de ter feito pagamentos de R$ 50 mil mensais para calar Cerveró. O ex-senador foi acusado pelos advogados de não ter provas dos relatos. “É uma versão unilateral e sem respaldo”, afirmou Cristiano Zanin, integrante da defesa de Lula.

De acordo com Delcídio, em uma reunião com Lula, ocorrida em maio de 2015, o ex-presidente teria pedido a ele que buscasse uma solução para Bumlai, que andava preocupado com o andamento da Lava-Jato. O ex-senador, entretanto, admitiu que Lula não sugeriu qualquer estratégia para blindar o amigo, e que a ideia de pagar uma mesada à família de Cerveró foi de Delcídio.

O ex-senador afirmou, no entanto, que Lula estava aflito com os efeitos bombásticos da Lava-Jato, mas que não encontrava no Palácio do Planalto, então ocupado por Dilma Rousseff, ambiente de diálogo para tratar do tema. Segundo Delcídio, o núcleo duro de Dilma avaliava que a presidente e seu governo sairiam ilesos, enquanto Lula tinha visão muito mais clara do estrago que estava por vir.

O ex-presidente, então, optou por tratar do assunto em uma reunião com Delcídio e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA). “Ali ficou claro para mim que o ex-presidente já não tinha mais canal para tratar disso com o Palácio do Planalto”, relembrou Delcídio.

Além dele, de Lula e dos Bumlai, são réus na ação o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro e o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Rodrigues. As próximas audiências acontecem amanhã na 10ª Vara Federal de Brasília. Lula será ouvido em 14 de março.

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