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‘Se regime brasileiro é machista, o mundo inteiro é’ é o título de matéria no Globo com declaração de secretário da Previdência sobre reforma

Ao defender regras de aposentadoria iguais para homens e mulheres, o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, disse ontem, em visita à Câmara que, se o regime previdenciário no Brasil é considerado machista, “então o mundo inteiro é”. A declaração foi dada ao ser perguntado se considerava o modelo brasileiro machista, por tratar de forma igual trabalhadores e trabalhadoras com particularidades diferentes:

Proposta machista… Se nós somos (machistas) então o mundo inteiro é, porque a questão da igualdade de idades você vê em vários outros países.

Com opinião semelhante, Leonardo Rolim, ex-secretário da Previdência e consultor de orçamento da Câmara, afirmou que o regime da Previdência não deve ser usado como “prêmio” para compensar questões como o machismo no mercado de trabalho e a jornada dupla da mulher. Para ele, mesmo que gaste em média mais horas em afazeres domésticos do que o homem, a mulher vive mais, e por isso não seria viável “dar o prêmio” de se aposentar mais cedo.

A Previdência não é a caixa de solução de todos os problemas do Brasil. A gente costuma, no Brasil, usar a Previdência como um prêmio para resolver os outros problemas: “Se há o machismo e a mulher trabalha mais horas em casa que o homem, vamos dar um prêmio aposentando a mulher mais cedo”. Não faz sentido, já que ela vive mais — afirmou Rolim, citando como exemplo o caso de uma professora, que se aposenta, segundo ele, “quando está no auge”.

Para ele, não se pode usar a Previdência para compensar desigualdades históricas no Brasil, o que deve ser feito por meio da educação:

Em qualquer lugar do mundo a Previdência é um instrumento de proteção social, não de redução de desigualdade. Tem que investir muito mais em educação em vez de usar a Previdência como forma de compensar desigualdades sociais no Brasil.

Já a comissão especial que analisa a reforma trabalhista na Câmara quer votar o parecer sobre o assunto até maio para, então, enviar a matéria para o plenário da Casa. O relator do projeto, deputado Rogério Marinho (PSDB/RN), afirmou que pretende apresentar o parecer até 4 de maio, na semana do Dia do Trabalhador. Isso possibilitará, segundo ele, que a votação ocorra até o dia 11, mesmo com eventuais pedidos de vista:

Até dia 4 de maio apresentamos o parecer. Ele está proporcionalmente mais elástico, pode ser diminuído, vai depender da dinâmica que se estabelecer. Vai depender da necessidade de ouvirmos mais elementos da sociedade civil.

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