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Justiça torna Cabral réu pela 4a vez, diz o Estadão

O juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7.a Vara Federal Criminal do Rio, aceitou, no início da noite de ontem, a denúncia apresentada horas antes pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Na peça, o ex-governador do Rio é acusado de praticar crime de lavagem de dinheiro por 184 vezes, como resultado da Operação Eficiência, desdobramento fluminense das investigações da força-tarefa da Lava Jato. Agora, o peemedebista é réu em quatro ações penais – três em tramitação no Rio e uma em Curitiba.

Além de Cabral, foram denunciados por crimes de lavagem de dinheiro Carlos Miranda (147 vezes), Carlos Bezerra (97), Sergio Castro de Oliveira (6), Ary Ferreira da Costa Filho (2), a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo (7), Thiago de Aragão Gonçalves (7), Francisco de Assis Neto (29) e Alvaro Jose Galliez Novis (32). As defesas não foram encontradas para comentar a decisão.

A Operação Eficiência investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro obtido de maneira criminosa, supostamente cometidos por Cabral e seus cúmplices. A lavagem é o foco desta nova denúncia.

Planilha de controle de gastos com mais de 1,5 mil itens, fornecida pelos doleiros e irmãos Renato e Marcelo Chebar, que faziam parte da organização como operadores financeiros, traz 19 citações a um prestador de serviço que oferecia ao então governador fretamento de helicóptero, emissão de passagens e serviços de embarque e desembarque, no total de R$ 1,06 milhão. Em um só fim de semana, Cabral chegou a gastar R$ 116,1 mil com deslocamentos de helicóptero.

Cabral fez 21 viagens de helicóptero em janeiro e fevereiro de 2015 com esse prestador de serviço. Gastou R$ 187 mil. De acordo com o procurador Sergio Pinel, a planilha mostra como o ex-governador se valia de uma “instituição financeira paralela” – os serviços dos Chebar – para bancar hábitos luxuosos.

Os deslocamentos mais caros foram entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2015. No sábado, 24, o helicóptero fez o trajeto Aeroporto de Jacarepaguá-Mangaratiba (onde o ex-governador tem casa), Mangaratiba-Guarulhos e Guarulhos-Aeroporto de Jacarepaguá. No dia seguinte, o helicóptero voltou a Guarulhos, a serviço de Cabral. E, em 26 de janeiro, fez duas vezes o trajeto Mangaratiba-Jacarepaguá; Jacarepaguá-Palácio Guanabara; e de volta ao aeroporto. O passeio no fim de semana custou R$ 116,1 mil. “Sérgio Cabral usufruía muito bem desse dinheiro”, disse o procurador.

Cruzamento feito pelo Esta do mostra que, em 26 de janeiro de 2015, Adriana Ancelmo voltou de Londres, no voo BA 0247, da British Airways, que pousou em Guarulhos.

Entre os 1,5 mil itens da planilha de controle de caixa, os procuradores conseguiram decifrar 150 fontes de gastos. “Em viagens a Londres e Dubai, gastaram R$ 287 mil. São viagens feitas por eles com dinheiro administrado por essa instituição financeira paralela, que eram os colaboradores (os irmãos Chebar). Eles recebiam dinheiro dos operadores da organização criminosa e empregavam para pagar as contas de Cabral e da família”, disse o procurador.

Média. Os doleiros recebiam dos outros denunciados dinheiro em espécie supostamente advindo de crimes de corrupção, mantinham os recursos sob seu controle e os usavam para pagamentos de despesas em favor dos membros da suposta quadrilha. Entre 1.o de agosto de 2014 e 10 de junho de 2015, o valor desses desembolsos chegou a R$ 39.757.947,69. A média era de R$ 4 milhões por mês.

As provas indicam que Cabral e os outros acusados promoveram a lavagem de ativos de sete maneiras. Uma foi o pagamento, no Rio, de despesas pessoais de Cabral e familiares; outra foi a quitação de despesas de Carlos Miranda; a terceira, a movimentação de recursos ilícitos para Carlos Bezerra. Houve ainda distribuição de recursos ilícitos por Sergio de Oliveira; o envio de dinheiro sujo para Thiago Aragão e Francisco de Assis Neto; e entrega de dinheiro, por Novis, aos irmãos Chebar.

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