Noticias

Incentivo à retomada é a manchete do caderno de economia do Globo sobre saque do FGTS

A notícia mais aguardada pelos trabalhadores com contas inativas do FGTS saiu ontem, com pompa, em solenidade no Palácio do Planalto. O governo divulgou o cronograma para os saques, que ocorrerão de acordo com a data de aniversário dos trabalhadores, com início no próximo dia 10 de março. Ao todo, 30,2 milhões de pessoas deverão sacar, em agências da Caixa Econômica Federal, R$ 43,6 bilhões. A expectativa é que entre R$ 12 bilhões e R$ 16 bilhões desse total sejam injetados diretamente na economia, via consumo das famílias. A estimativa é do economista-chefe do banco ABC, Luis Otavio de Souza Leal, com base em exemplos internacionais de devolução de dinheiro sob jurisdição do governo a contribuintes. Segundo ele, entre 30% e 40% foram empregados em consumo. Diante da alta taxa de inadimplência das famílias brasileiras, a maior parte deve ser usada para pagar dívidas.

Nem tudo isso vai para consumo. Primeiro, porque boa parte desses R$ 41 bilhões será distribuída entre pessoas que terão menos de R$ 1 mil para sacar. Depois, quem tem contas maiores e provavelmente não está enfrentando problemas de inadimplência vai aplicar em ações, títulos pós-fixados ou na poupança. Como os saques ocorrerão entre março e julho, o efeito do uso desses recursos será diluído ao longo do ano e parte pode ter resultado somente em 2018. Não é isso que vai salvar a pátria, mas será uma ajuda — ponderou o economista.

Nas contas da Fecomércio-RJ, no caso do estado do Rio, R$ 1,6 bilhão deve ser injetado no comércio de bens, serviços e turismo.

São recursos importantes para a retomada da atividade neste momento e vão fazer a diferença no volume de vendas do comércio, que encerrou 2016 novamente negativo. É claro que há questões estruturais, de mercado de trabalho e renda, que ainda vão impedir um resultado melhor, mas toda ajuda é bem-vinda — analisa Christian Travassos, gerente de economia da Fecomércio-RJ.

O cronograma para a retirada do dinheiro leva em consideração a data de aniversário do trabalhador. Assim, quem nasceu nos meses de janeiro e fevereiro, pode sacar os recursos a partir de 10 de março, por exemplo. Em abril, será a vez daqueles que nasceram nos meses de março, abril e maio, e assim por diante. As datas do calendário correspondem ao primeiro dia permitido para o saque. O dinheiro, porém, estará disponível para todos os trabalhadores elegíveis até 31 de julho deste ano. O anúncio das datas para saque levou muitos brasileiros a buscarem informações nas agências da Caixa ontem.

A medida vai reduzir o endividamento das famílias e permitir que elas voltem a consumir, o que vai assegurar a esperada retomada do crescimento em 2017 — resumiu o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Para atender aos trabalhadores — tem direito quem pediu demissão ou foi dispensado por justa causa até 31 de dezembro de 2015 —, 1.891 agências da Caixa funcionarão um sábado por mês, das 9h às 15h, de fevereiro a julho, com exceção de abril. Além disso, de hoje até sexta-feira, todas as 3,4 mil agências do banco abrirão duas horas mais cedo, portanto, às 8h.

O próximo sábado, dia 18, já será o primeiro dia de atendimento especial. Esse regime diferenciado será de dedicação exclusiva ao assunto FGTS. Ou seja: não haverá outro tipo de atendimento (abertura de conta, pagamento de fatura etc.).

Quem preferir pode abrir uma conta-corrente ou uma conta poupança na Caixa antes da abertura da temporada de saques, em 10 de março. Isso garantirá o depósito automático dos recursos, no caso da poupança, ou de forma simplificada, no caso da conta-corrente.

Dos 30,2 milhões de clientes com contas inativas e passíveis de saque, 90% têm saldo de até R$ 3 mil. Oito por cento, ou 2,3 milhões de contas, têm recursos de R$ 3.001 a R$ 10.000; 2%, o equivalente a 500 milhões de contas, estão na faixa de R$ 10.001 até R$ 50.000; e cerca de 50 milhões de contas, com percentual de aproximadamente 0,2%, têm acima de R$ 50.001. São 49,6 milhões de contas, com um valor estimado em R$ 43,6 bilhões.

Durante o anúncio dos detalhes sobre os saques das contas inativas do FGTS, o presidente Michel Temer disse que essas retiradas vão permitir “tranquilidade social”, diante da recessão da economia, do endividamento das famílias e das empresas. Temer destacou que, em apenas dez minutos de funcionamento da nova página no site da Caixa, criada especificamente para orientar os trabalhadores, foram registrados 480 mil acessos:

No fim do ano passado, discutimos como injetar valores na economia brasileira e acolher pleitos de muito tempo, como as contas inativas do FGTS. Com a evidente recessão, muitas famílias e empresas endividadas, os saques não só injetariam recursos na economia, mas dariam uma certa tranquilidade social.

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a liberação dos saques dessas contas inativas simboliza uma política com menos peso do Estado. Sem citar nomes, Meirelles atacou políticas econômicas anteriores ao governo Temer por serem “centralizadoras”:

O Estado começa, cada vez mais, a não tutelar as pessoas. Isto é, cada um tendo a possibilidade, o direito, de alocar os recursos da maneira como ele, ou ela, achar melhor.

Deixe uma resposta