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Mercado já prevê inflação abaixo da meta, diz o Estadão

Economistas do mercado financeiro já projetam uma inflação abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central em 2017, de 4,5%. O Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra que a expectativa dos profissionais para o IPCA – o índice oficial de inflação – este ano passou de 4,64% para 4,47%.

Essa redução na inflação projetada surge após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar, na semana passada, que o IPCA de janeiro ficou em 0,38% – menor taxa para o mês desde o início da série do BC, em 1994. Para 2018, o mercado projeta inflação de 4,5%, exatamente em cima da meta. A margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual em cada um dos anos (inflação até 6%).

No grupo “Top 5”, que reúne os economistas que mais acertam as projeções no Focus, a previsão é de IPCA de 4,15% em 2017 e de 4,21% em 2018.

Alguns profissionais já veem a possibilidade de o Conselho Monetário Nacional (CMN) – formado por BC e Ministérios da Fazenda e do Planejamento – reduzir o centro da meta de inflação para abaixo de 4,5%. A decisão sobre a meta de 2019 será tomada em junho deste ano.

Para Gustavo Loyola, ex-presidente do BC e sócio da Tendências Consultoria Integrada, uma eventual mudança na meta para 2019 seria bem-vinda, desde que não ocorra de maneira brusca. “Talvez o CMN dê alguma sinalização de mudança para a meta do ano seguinte, algo como 4%.” Segundo ele, mesmo com o processo desinflacionário em andamento, a batalha não está vencida. “Não se pode dormir sobre os louros conquistados. Os riscos existem, mas claro que são menores.”

Um dos principais motivos para o recuo nas expectativas de inflação é a fraqueza da atividade econômica. Conforme o Focus, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 foi de alta de 0,49% para avanço de 0,48%. Se confirmado, será o primeiro crescimento anual da economia depois de dois anos de forte recessão. No caso de 2018, a previsão dos economistas paraaaltadoPIBéumpoucomelhor, de 2,30%.

Os números do Focus indicam que as empresas continuarão sem muito espaço para reajustar os preços, o que segura a inflação. A indústria deve se recuperar neste e no próximo ano, mas ainda de forma modesta. A projeção para a produção industrialédealtade1%em2017ede 2,05% em 2018.

A Selic (taxa básica de juros) terminará 2017 em 9,50%, na visão do mercado. No fim de 2018, as projeções indicam que ela estará em 9%. Hoje, a taxa está em 13% ao ano.

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