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A confluência da melhora da economia com a política é o título de editorial no Globo

Como nada para, não apenas o tempo, começa-se a vislumbrar uma tendência de recuperação da economia — em bases mais concretas, não como logo após o impeachment de Dilma —, confluindo para uma degradação da política decorrente da divulgação dos depoimentos do grupo de 77 diretores e acionistas da Odebrecht. Mesmo que ainda seja necessário esperar denúncias e provas.

Mas a simples citação de nomes do governo e da base parlamentar de Michel Temer tenderá a fragilizá-los, nesta fase estratégica de início de debate da crucial reforma da Previdência, na Câmara. Sem ela, cedo ou tarde, o importante teto constitucional das despesas públicas será rompido.

O presidente precisa se preparar para esta confluência, a fim de blindar o máximo possível a mudança dos humores para melhor dos agentes econômicos, protegendo-a dos efeitos das delações. Neste sentido, é louvável que Temer haja tomado a iniciativa de ontem anunciar que ministro denunciado será afastado de forma provisória, e, se virar réu, demitido. É sempre indicado, nesses casos, antecipar-se aos fatos. Parece ter sido aprendida a lição dada pelo presidente Itamar Franco ao afastar seu braço direito, Henrique Hargreaves, da chefia da Casa Civil, por ele ter sido citado na CPI dos Anões do Orçamento, em 1993.

O melhor cenário, não descartado, é o movimento da retomada ter força para se firmar a salvo das turbulências políticas. O sinal dado ontem por Temer é bastante positivo, porque representa o compromisso de que fará tudo para que a órbita política de seu governo não contamine a condução da economia. A esperar.

Se a confirmação do impeachment de Dilma, em agosto do ano passado, com o afastamento dela e de seus “desenvolvimentistas”, inflou uma pequena bolha de otimismo, não mais do que isso, agora há indicadores mais consistentes de que a retomada fermenta no subsolo do sistema econômico.

Os avanços têm ocorrido em vários fronts. Um importante é o da inflação, em que já se estima o atingimento da meta de 4,5% em meados do ano, em bases anualizadas. A queda é vertiginosa — em 2015 estava em dois dígitos, reflexo dos erros de Dilma e equipe. Assim como agora os resultados positivos derivam do bom trabalho do BC, e de uma equipe econômica que busca afinar as políticas monetária (juros) e fiscal (gastos).

Na economia real, há diversos dados que apontam para a retomada: crescimento da produção industrial (0,3% em novembro e 2,3% em dezembro); fluxo de veículos em estradas (1% em janeiro); produção de papel ondulado, usado em embalagens (3,3% em dezembro).

O otimismo se fundamenta em que a queda da inflação manterá os cortes nos juros, mola propulsora dos negócios em geral. Com Temer demonstrando clareza sobre opções que terá de assumir com o andamento da Lava-Jato, as perspectivas melhoram ainda mais.

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