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Sete países da AL investigam propinas da Odebrecht, diz O Globo

Assinado no fim de dezembro, o acordo da Odebrecht com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos levou sete países da América Latina a abrirem investigações similares à Lava-Jato contra a empreiteira e políticos locais. Os inquéritos atingem ao menos quatro presidentes e exmandatários do continente. Funcionários da companhia já assinaram pré-acordos de colaboração judicial com Colômbia, Panamá, Peru e República Dominicana, segundo informações de promotorias locais.

O caso mais avançado é o do Peru, onde a Justiça determinou a prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo na quinta-feira. Como ele não foi encontrado, o governo inseriu seu nome na lista de procurados, com recompensa de R$ 95 mil para quem der informações. Toledo é acusado de receber US$ 20 milhões (R$ 62 milhões) entre 2006 e 2010 da construtora brasileira para beneficiá-la no contrato de construção da Rodovia Interoceânica.

O pagamento foi revelado pelo ex-executivo da Odebrecht Jorge Barata, que se tornou colaborador e afirmou que o acordo foi intermediado pelo chefe de segurança do Palácio de Governo, Avraham Dan On. O dinheiro dinheiro teria sido depositado em contas do milionário Josef Maiman, amigo do ex-presidente. Toledo nega.

Na Colômbia, as investigações envolvem os dois últimos presidentes. Vice-ministro de Transportes durante o governo de Álvaro Uribe, que acabou em 2010, Gabriel García Morales foi preso em 13 de janeiro acusado de receber US$ 6,5 milhões (R$ 20 milhões) para favorecer a Odebrecht nas obras da Estrada do Sol.

Já o atual presidente, Juan Manuel Santos foi envolvido na investigação após a prisão do ex-senador Otto Bula. Segundo a Procuradoria, Bula encaminhou para a campanha de Santos, em 2014, US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhões) de um total de US$ 4,6 milhões (R$ 14,3 milhões) de propina que recebeu na construção da estrada Ocaña-Gamarra. A campanha do presidente nega.

O ex-presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, foi relacionado às investigações porque seu irmão, Mario, e seus filhos Ricardo Alberto e Luís Enrique, foram acusados de receber US$ 11 milhões e € 9 milhões (cerca de R$ 64 milhões) por meio de offshores administradas pela Odebrecht.

Na Argentina, o presidente Maurício Macri foi implicado pela denúncia de que seu chefe da inteligência, Gustavo Arribas, recebeu US$ 600 mil (R$ 1,8 milhão) do operador Leonardo Meirelles em 2013, quando não era do governo.

 

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