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Empresa suspeita recebeu R$ 18 mi da União, diz a Folha

Uma empresa de um preso na Operação Lava Jato, citada pelo juiz Sergio Moro como suspeita de lavar dinheiro, firmou contratos milionários com o governo federal para desenvolver sistemas de tecnologia de combate a fraudes eletrônicas.

A RT Serviços Especializados, que pertence a Julio Cesar Oliveira Silva, recebeu, em 2016, R$ 5 milhões da União, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Os órgãos são os ministérios da Saúde e do Esporte e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Em 2015, a empresa de Silva firmou contratos com órgãos federais que somam R$ 12,6 milhões. As contratações constam como ganhas por meio de concorrência.

Silva ficou quatro dias preso em setembro do ano passado sob suspeita de operar propinas de um projeto da empreiteira Mendes Júnior na Petrobras.

Ele é apontado como ligado ao ex-ministro José Dirceu, que permanece preso no Paraná. A mulher do empresário, Antonieta Silva, foi funcionária comissionada no governo petista.

Segundo a investigação, a empresa Konceito, “com características de fachada”, que havia recebido pagamentos em série da Mendes Júnior, encaminhou valores para empresas de Silva.

Uma das beneficiárias foi a RT, que ganhou R$ 51 mil, em 2012 e 2013. A mesma firma também recebeu R$ 93,8 mil de uma outra empresa investigada na Lava Jato, a IT7 Sistemas, que pertenceu a León Vargas, irmão do ex-deputado pelo PT André Vargas. Os dois já foram condenados na Lava Jato.

Os repasses se parecem com os recebidos por outra empresa que foi de Silva, a JC&S, que funcionava no mesmo endereço da RT Serviços, em Brasília, embora em salas diferentes.

A Receita aponta “indício de inexistência” da firma JC&S. Uma análise do patrimônio de Silva, também feita pelo órgão na Lava Jato, vê indícios de fontes de renda não declaradas e de “patrimônio a descoberto”.

Ele atuou como dirigente da Isolux, empresa que foi parceira da Mendes Júnior e da OSX, de Eike Batista, em um projeto de construção de plataformas de petróleo. Silva foi preso na mesma fase da Lava Jato que deteve o ex-ministro Guido Mantega. O inquérito sobre o caso ainda não foi encerrado.

ATUAÇÃO

Contratos da empresa com o governo foram apreendidos nas buscas da Lava Jato.

Também foi achado um documento em que a RT Serviços contrata uma outra empresa de tecnologia para atuar em seu trabalho junto ao Ministério da Saúde.

A quantia que seria paga a essa outra firma era menos da metade dos valores que a RT receberia da pasta.

No contrato com o Esporte, consta que a contratação foi feita dentro da preparação para a Olimpíada do Rio.

Em seu site, a RT diz prestar “serviços de consultoria na elaboração de projetos de tecnologia” e criar mecanismos para “proteger empresas públicas e privadas contra ameaças cibernéticas”.

OUTRO LADO

A defesa de Julio Cesar Oliveira Silva disse que a RT Serviços é uma empresa de comercialização de tecnologia, “com funcionamento regular e na forma da lei”, que mantém “contratos com a área pública e o setor privado”.

“Quaisquer questões relacionadas com o desempenho das suas atividades estão sendo devidamente esclarecidos à Justiça”, afirmou, em nota.

A reportagem questionou a defesa sobre as suspeitas da Lava Jato sobre repasses, mas não houve resposta.

Em depoimento na época em que foi preso, Silva disse que, como diretor da Isolux, tinha função de prospectar novos negócios.

Disse ainda que prestou serviços de implantação de um sistema para a firma IT7 Sistemas, pelo qual recebeu R$ 700 mil. Ele declarou que não conhece os irmãos André e León Vargas e afirmou que nunca teve “relação comercial” com José Dirceu.

Os órgãos públicos disseram que os contratos com a empresa não estão mais em vigor. O Ministério do Esporte disse que sua área técnica não se interessou em renovar o serviço. A firma, diz, fazia buscas para coibir o uso indevido do nome do ministério.

A Saúde disse que a atual gestão da pasta não demandou mais o serviço. Na contratação, afirma, a RT Serviços apresentou a documentação necessária. Diz ainda desconhecer se houve subcontratação de outra firma.

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