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Meta de inflação deve ser reduzida pelo CMN é a manchete do Valor

O Conselho Monetário Nacional deve retomar o processo de redução da meta de inflação em junho. Desde 2005 a meta está em 4,5% e, de lá para cá, o governo apenas cortou o intervalo de tolerância, que este ano é de 1,5 ponto percentual. As autoridades pensam em tomar uma decisão cautelosa daqui a quatro meses. Se os juros estiverem em pronunciada queda rumo à taxa neutra e as expectativas de inflação muito bem ancoradas, explicam, seria útil reduzir “um pouquinho” a meta de inflação dos 4,5% atuais para 4,25% em 2019.

Essa sinalização, argumentou uma alta fonte, ajudaria a consolidar um nível de inflação mais baixo sem que o Banco Central tenha de recorrer a uma política monetária contracionista.

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Os últimos números sobre a inflação têm mostrado uma queda significativa. O IPCA de janeiro foi o mais baixo da série histórica para o mês: 0,38%. A primeira prévia de fevereiro do IGP-M, divulgada ontem, mostrou variação positiva de apenas 0,1%, um índice muito abaixo do verificado em igual período de janeiro (0,86%).

A possibilidade de o governo Temer retomar a redução da meta, abandonada desde 2005, estimula o debate sobre política monetaria e inflação. O discussão sobre se juros altos derrubam ou se, ao contrário, elevam a inflação, foi iniciado por artigo de André Lara Resende, publicado pelo Valor. A tese foi rebatida por textos dos economistas Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Eduardo Loyo e, na edição de hoje, por José Júlio Senna. A discussão está aberta e prossegue, com os economistas que se manifestaram até agora argumentando por que consideram a tese advogada por Lara Resende com base em artigo de John Cochrane fora do lugar.

Os poucos economistas do governo que se interessaram pela discussão e falaram com o Valor não concordam com a explicação que Lara Resende atribuiu à inflação no Brasil nos últimos 20 anos: a inflação é alta porque os juros nominais são altos. Argumentam que a economia brasileira é pouco sensível a taxa de juros por causa de distorções acumuladas há anos, sendo a mais recente a expansão anticíclica do crédito pelos bancos públicos.

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