Noticias

Da prisão, Cunha escreve bilhete e critica presídio, diz o Estadão

Preso preventivamente desde outubro do ano passado, o expresidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) escreveu uma “nota” na qual critica as condições do presídio onde se encontra e rebate as informações do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná sobre sua recusa a fazer exames médicos. “Lamento que o governo do Estado do Paraná, tão bem conduzido pelo governador Beto Richa, tenha auxiliares que buscam holofote para se aproveitarem da situação de notoriedade do meu caso, ao invés de zelar pelo cumprimento da Lei de Execução Penal, que não é cumprida no Complexo Médico-Penal do Paraná”, escreveu Cunha em manuscrito ao qual o Estado teve acesso.
Na terça-feira, no primeiro depoimento como réu da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba, Cunha fez um apelo por liberdade ao juiz Sérgio Moro e disse ter um aneurisma cerebral. No dia seguinte, o diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo, afirmou que Cunha foi convocado para fazer exames médicos, mas se recusou a passar pelos procedimentos.

Se dizendo médico do juízo, mas sem me apresentar qualquer notificação por escrito, quis me constranger a realizar um exame de ressonância magnética com contraste na forma e local que ele entendesse, o que não concordei”, escreveu o deputado cassado.

Troféu’. Cunha também criticou os argumentos para a manutenção de sua prisão. Em artigo publicado ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, o peemedebista afirma: “Não houve qualquer fato novo para ensejar uma prisão, salvo a necessidade de me manter como troféu”.

Anteontem, a defesa de Cunha protocolou na Justiça exames de imagem e laudos de dois médicos sobre o aneurisma. Ontem, Cartaxo afirmou que Cunha relatou o problema de saúde no dia 21 de dezembro, quando deu entrada no Complexo Médico-Penal. Segundo ele, na ocasião os médicos solicitaram os exames, o que não foi feito. O deputado cassado, no manuscrito, diz que “jamais” recebeu o pedido.

Recurso. Cunha tem pendente uma reclamação no Supremo Tribunal Federal que pede a revogação de sua prisão. O julgamento do recurso estava previsto para ontem, mas foi adiado por causa da morte do pai da presidente do STF, Cármen Lúcia. Florival Rocha morreu ontem aos 98 anos e a ministra viajou a Minas Gerais.

Ainda ontem, em São Paulo, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, disse acreditar que a Corte mantenha as prisões expedidas em instâncias inferiores, ao ser questionado sobre o caso de Cunha (mais informações na pág. A8).

Deixe uma resposta