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Politicagens é o título da coluna de Merval Pereira no Globo sobre PMDB

Quanto mais poder o PMDB tem, mais revela sua índole patrimonialista, que fragiliza o projeto de saída da crise econômica em que os anos de governos petistas nos colocaram, justamente pela ação patrimonialista em conluio com o PMDB e outros partidos que, na maioria, formam a base aliada que já foi de Lula e Dilma e hoje é de Temer.

Assumindo o governo dentro da legalidade, mas tendo que ganhar credibilidade e provar a que veio em curto período, a gestão Michel Temer tem acertado na economia, mas falha constantemente na grande política, sendo efetiva apenas no varejo — que implica a troca permanente de favores entre os diversos grupos que o formam e o baixo clero legislativo.

Com o vazamento de parte ínfima, mas substantiva, das delações premiadas dos executivos da Odebrecht, e a proximidade da quebra oficial do sigilo, essa mesma classe política entrou em ebulição, possivelmente considerando que as mudanças ocorridas no STF com a morte do relator Teori Zavascki poderão abrir espaços para a operação abafa, de que tanto falavam líderes peemedebistas gravados pelo antigo comparsa Sérgio Machado.

A tentativa, abortada pela reação da opinião pública alertada pelos meios de comunicação, de aprovar uma legislação que retiraria poderes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para punir os partidos que transgredissem a lei foi mais um sinal desses movimentos.

Mesmo que não representem transgressões às normas, as nomeações dos últimos dias do governo Temer revelam, no conjunto, uma tendência à leniência que acompanha o PMDB em sua História recente. A blindagem da nomeação, agora barrada em liminar de um juiz de Brasília, de Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência, não tem comparação com a de Lula por Dilma para a chefia de sua Casa Civil, pois Lula já estava sendo investigado pela Polícia Federal, e Moreira ainda não tem nenhuma denúncia formal contra ele, nem mesmo é possível dizer se o vazamento da delação premiada que o acusa revela toda a verdade do que foi dito.

Mas se a juntarmos à nomeação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF) — outra indicação que preenche os critérios técnicos, mas não os morais, sem trocadilho — e a provável escolha do advogado Antonio Mariz de Oliveira para o Ministério da Justiça, com todas as críticas que faz à Operação Lava-Jato, forma-se um quadro claro de tendência governamental de reagir, embora por meios legais, ao que se passa em Curitiba, e alcançará provavelmente todo o entorno presidencial, inclusive o próprio Temer.

No Congresso, o PMDB fez a festa com nomeações que indicam a vontade de controlar as comissões do Senado que possam lhe dar poder político para atuar contra a LavaJato. Escolher sem pudores para presidir a Comissão de Constituição e Justiça um senador como Edison Lobão, investigado na Lava-Jato por ter participado das falcatruas na Petrobras, na usina de Belo Monte e em Angra 3 quando era ministro de Minas e Energia no governo Dilma, é um escárnio. Mesmo que outros inquéritos já tenham sido arquivados.

Além de comandar a sabatina do indicado para o STF, a CCJ apreciará o nome de um novo procurador-geral da República em setembro — que pode até mesmo ser o de Rodrigo Janot — e analisará o projeto de crimes de abuso de autoridade tão apoiado pelo senador Renan Calheiros, líder do PMDB e artífice, com o ex-presidente José Sarney, da indicação de Lobão.

Esses fatos, separadamente, têm uma conotação. Colocados em conjunto, ganham nova dimensão política que se coaduna com o inquérito que o procurador-geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente José Sarney, os senadores do PMDB Romero Jucá e Renan Calheiros, e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado sob a acusação de embaraço às investigações na Operação Lava-Jato.

 

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