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Polícia Federal indicia Cabral, Eike e mais dez na Operação Eficiência, diz o Globo

O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), o empresário Eike Batista e outras dez pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Eficiência, por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os indiciados estão ainda o irmão do exgovernador, Maurício Cabral, e a ex-mulher do peemedebista, Susana Neves, que não estão presos, mas foram levados coercitivamente para depor quando a ação foi deflagrada, no dia 26 de janeiro. Ontem, Eike e outros seis presos em desdobramentos da Operação Lava-Jato foram levados para a Superintendência da Polícia Federal para prestarem novo depoimento. Os investigadores queriam alguns esclarecimentos, mas não foram informadas quais dúvidas eles queriam tirar. O deslocamento dos presos foi autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Preso desde novembro do ano passado, Cabral foi indiciado ontem por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, assim como seu exsecretário de Governo Wilson Carlos. Eike, preso no último dia 30, foi indiciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele é acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador no exterior. Maurício Cabral foi acusado de receber dinheiro em espécie do esquema que, segundo o Ministério Público Federal, é comandado por seu irmão. Ele foi indiciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa, e a ex-mulher de Cabral, que também é acusada de receber recursos, por lavagem de dinheiro.

TERCEIRO INDICIAMENTO

Essa é a terceira vez que o ex-governador é indiciado. A Operação Calicute gerou dois processos para Cabral, um no Rio e outro em Curitiba. O indiciamento de anteontem, no âmbito da Operação Eficiência, pode fazer com que o peemedebista vire réu pela terceira vez, caso o MPF ofereça denúncia e a Justiça aceite.

Ontem, nos depoimentos aos investigadores, ao menos dois acusados permaneceram em silêncio, de acordo com as defesas: Eike Batista e Ary Ferreira Filho, apontado como um dos operadores de Cabral.

Por orientação da defesa, como no primeiro depoimento, ele se resguardou ao direito de prestar informações somente em juízo — disse o advogado de Eike Batista, Fernando Martins, descartando, mais uma vez, que o cliente vá fazer acordo de delação. — Não tem nenhuma informação sobre colaboração premiada. No momento, a orientação da defesa é que ele vai falar apenas em juízo — completou.

O advogado disse ainda não ter lido o relatório da PF que indiciou o empresário e falou sobre o estado de ânimo do cliente:

Ele está bem, acreditando na Justiça.

O advogado de Ary, Michel Assef, disse que foi uma decisão do cliente permanecer em silêncio e optar por falar somente em juízo:

Ele se reservou e o quer falar em juízo pelas razões dele.

Além do empresário e Ary, foram levados para depor novamente Flávio Godinho, ex-braçodireito de Eike e ex-vice-presidente do Flamengo, o ex-secretário estadual de Obras Hudson Braga, o doleiro Álvaro José Novis, o ex-subsecretário Francisco de Assis Neto e Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, apontados pelo MPF como operadores do esquema. Eles estão presos no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, e chegaram à PF às 9h22m. Às 15h10m, o comboio levou todos de volta à prisão.

A Operação Eficiência apura esquema de desvio e lavagem de dinheiro de contratos do governo do Estado do Rio na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. No último dia 26, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e quatro de conduções coercitivas. Entre os principais alvos estava o empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, além do exgovernador, que já está preso no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu. Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas.

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