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O vazamento para o jogo político não nos interessa’ é o título de entrevista com procurador da Lava Jato

O procurador-geral (Rodrigo Janot) se manifestou a favor. Toda investigação, por princípio, deve ser feita de modo sigiloso, o alerta produz destruição de prova útil às investigações. De outro lado, há uso de vazamentos para o jogo político, algo que não nos interessa. Nós assumimos essa responsabilidade, que parece às vezes aceita sem muito critério na imprensa, e isso é um peso muito grande para nós.

Divulgar não coloca em risco a investigação?

Sempre coloca. Eu posso imaginar que nesses 900 depoimentos tenha casos em que eu possa desenvolver uma investigação com mais cuidado e sigilo. Nenhuma das duas posições tem 100% ótimo. Vamos perder em qualquer uma das decisões.

Qual impacto que a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo tem sobre a operação Lava-Jato?

Tínhamos uma preocupação natural com a posição do novo ministro em relação a temas como a execução de sentença e o segundo grau. Moraes tem posição que mantém a jurisprudência atual do Supremo. Por isso, nos sentimos tranquilos em relação à nomeação. É uma boa escolha, um constitucionalista de respeito.

Depois da Odebrecht, alguma grande empresa recapitulou sua delação?

Não tenho essa informação ainda, porque esses 900 depoimentos foram tomados por mais de 50 procuradores, e agora estão concentrados na PGR. Eles vão chegar para mim. Quando chegarem, vamos fazer análises.

Quantos devem vir para Curitiba?

Seria uma temeridade fazer qualquer afirmação. Por incrível que pareça, a maior parte dos depoimentos não é relativa à Petrobras. Há esquemas revelados por todo o Brasil, em nível federal, estadual e municipal. Mais de 50% com certeza não virão para cá.

O que pode-se esperar para a LavaJato em 2017?

Vamos ter operações, mas não no mesmo ritmo. A Lava-Jato que nós vivemos está se transformando em uma (iniciativa) de denúncias e processos, não tão investigativa. Dependendo de como for a cisão (dos depoimentos da Odebrecht), a gente vai ter uma ideia do futuro.

O sr. se refere a um futuro de quantos anos?

Só para fazer denúncias de fatos já investigados, são três ou quatro anos (o que chegaria a 2020).

Sérgio Machado disse, em conversa com Sarney: “A delação da Andrade Gutierrez vem muito pesada em cima do PT, do Sérgio (Cabral), mas poupa o Aécio”. A avaliação do colaborador estava correta?

Todos aqueles que não falaram sobre Cidade Administrativa (do estado de Minas Gerais) deixaram de revelar um fato importante, que hoje nós sabemos o que aconteceu. Entretanto, isso é uma investigação do Supremo Tribunal Federal e não temos esse material conosco, pois envolve pessoas com prerrogativa de foro.

Os acordos serão desfeitos?

Em relação a estes fatos, existe a possibilidade de renegociar os acordos em condições mais duras, quebrá-los não é a única solução possível. As colaborações (de executivos) são de natureza ampla, o que nós chamamos de escopo aberto. Pessoas físicas devem revelar todos os fatos. Já a leniência, assinada pelas empresas, são de escopo fechado. O objeto são aqueles fatos revelados.

E quando se descobre fatos não revelados pela empresa?

Ela pode vir a ser processada, entretanto isso não gera quebra do acordo. É sempre possível que a empresa venha e diga: agora quero renegociar esse fato. É possível que a gente renegocie uma multa maior, alguma outra penalidade.

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