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IPCA de janeiro surpreende e mercado vê inflação abaixo do centro da meta é a manchete do caderno de economia do Estadão

Em meio ao cenário de demanda retraída, a inflação oficial no País iniciou 2017 em 0,38%, o resultado mais baixo para o mês de janeiro em toda a série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado desde dezembro de 1979 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado, abaixo do esperado pelo mercado (na média, a expectativa era de 0,42%), provocou uma onda de revisões tanto para a inflação quanto para a taxa de juros deste ano, com possibilidade de corte de 1 ponto porcentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nos dias 21 e 22 de fevereiro.

Com o alívio na inflação, começaram a aparecer projeções de Selic inferior a 9% no final deste ano. Em levantamento feito pelo Projeções Broadcast com 43 instituições, três projetam taxa de juros abaixo desse patamar (o BNP Paribas prevê a Selic a 8%). Outras sete instituições preveem a taxa de juros exatamente em 9%. Apenas quatro projetam Selic de dois dígitos em dezembro.

Na avaliação de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, é difícil antecipar os passos do Banco Central, mas não se pode excluir a possibilidade de o Copom reduzir em até 1 ponto porcentual a taxa básicas de juros. “Mas acho que o tom do BC sugere a queda de 0,75 ponto porcentual”, ponderou.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, também reconhece uma chance maior de redução de 1 ponto porcentual nos juros. “Seria ousado, mas racional e realista”, apontou Vale, embora também ainda estime um corte de 0,75 ponto porcentual.

Em relação à inflação, 22 das 43 instituições ouvidas veem o IPCA abaixo de 4,5% – o centro da meta traçada pelo Banco Central – este ano. Sete acreditam que a inflação ficará exatamente em 4,5%.

Recuo. Com o IPCA de janeiro, a inflação acumulada em 12 meses diminuiu de 6,29% em dezembro para 5,35% em janeiro. “A taxa em 12 meses desceu a ladeira porque a inflação em janeiro de 2016 foi muito alta (1,27%)”, justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Segundo Eulina, a demanda fraca tem sido determinante para reduzir o IPCA. “O que está trazendo a inflação para níveis mais baixos é o consumo restrito. O desemprego está alto, o crédito está caro, as pessoas estão endividadas, a taxa de juros está relativamente alta. E aí você tem reação no consumo, com efeito sobre preços”, disse.

Em janeiro, dois grupos do IPCA tiveram redução de preços: artigos de residência (-0,10%) e vestuário (-0,36%). “Os grupos que caíram são os mais afetados pela redução no consumo”, disse a pesquisadora.

Por outro lado, alimentos e ônibus urbano pesaram mais no orçamento das famílias. Cenoura, óleo de soja e farinha de mandioca lideraram o ranking de maiores aumentos.

A tarifa de ônibus ficou 2,84% mais cara, com reajustes em oito regiões pesquisadas. Os ônibus intermunicipais e os combustíveis também aumentaram, mas foram parcialmente compensados pelo recuo de 7,36% nas passagens aéreas.

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