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Fundos de investimento têm maior captação para janeiro em 4 anos é a manchete do caderno de economia da Folha

Considerados os “patinhos feios” das aplicações financeiras em 2014 e em 2015, os fundos de investimentos registraram em janeiro a maior captação dos últimos quatro anos.

Descontados os resgates, os fundos receberam quase R$ 40 bilhões no mês passado, a maior injeção líquida desde janeiro de 2013. O montante equivale a 37% do volume destinado a essas aplicações em todo o ano passado.

Desde o ano passado é crescente o interesse por essas aplicações. Segundo a Anbima (associação que reúne as instituições do mercado), a captação em 2016 foi a mais elevada desde 2010.

Os números surpreendem num momento em que as famílias comprometem boa parcela de seus orçamentos com o pagamento de dívidas e o desemprego bate recorde.

A poupança, por exemplo, aplicação que compete com os fundos na atenção dos pequenos investidores, teve em janeiro a segunda maior saída líquida de recursos para o mês registrada pelo Banco Central.

“Os investidores buscam ficar em posições que possam ser resgatadas a qualquer tempo e com baixa volatilidade, mas sem deixar de aproveitar as altas taxas de juros do Brasil”, afirma Carlos Takahashi, consultor sênior da gestora Blackrock no Brasil, referindo-se à atratividade recente dos fundos ante a poupança.

Segundo Diego Kashiwakura, analista sênior da Moody’s, a perspectiva de recuperação da economia e taxas de juros elevadas aumentaram o apetite dos investidores pelos fundos no fim do ano passado, mesmo em um contexto de recessão. Mas o desempenho dessas aplicações também ajudou.

Segundo dados da Anbima, a rentabilidade média dos fundos de renda fixa nos 12 meses encerrados no mês passado –sem o desconto de Imposto de Renda– foi de 13,9%, enquanto a poupança teve ganho de 8,3%.

A perspectiva era de que, com a queda dos juros, essas aplicações perdessem atratividade. Porém, a surpresa com a inflação de janeiro –abaixo do esperado– gerou apostas de que a taxa pode cair mais do que o previsto, o que abriu chance de maior rentabilidade para uma das famílias dos fundos de renda fixa –os mais procurados.

Do total de R$ 39,9 bilhões que entraram nos fundos em janeiro, já descontados os resgates, R$ 35 bilhões foram destinados a aplicações de renda fixa.

Segundo o consultor Marcelo D’Agosto, os fundos de renda fixa prefixados –cuja rentabilidade é definida na compra da aplicação– devem ter melhor remuneração do que os da antiga família DI, que acompanham a Selic. Já os ligados à inflação têm rentabilidade mais incerta, pois são uma mistura de prefixados com inflação (em queda).

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