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Cunha diz a Moro que Temer participou de reunião para nomeações na Petrobras é o título de matéria no Valor

Em interrogatório à Justiça Federal de Curitiba realizado ontem, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o presidente Michel Temer “está equivocado” por afirmar que não participou de uma reunião ocorrida no Planalto, em 2007, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tratar de nomeações do PT na Petrobras.

“Eu fui comunicado dessa reunião, tanto eu quanto o Fernando Diniz [lobista da Petrobras, já morto], na época, pelo próprio Michel Temer e pelo Henrique Eduardo Alves [então líder do PMDB na Câmara]. E ele esteve nesta reunião junto com [o então ministro de Lula] Walfrido Mares Guia”, afirmou Cunha.

Segundo o ex-deputado, as nomeações causaram “desconforto” na bancada do PMDB na Câmara, que se revoltou e ameaçou não aprovar a prorrogação da CPMF.

“Era um desconforto que existia com as nomeações do PT de Graça Foster para a diretoria de Gás [da Petrobras] e de José Eduardo Dutra para presidente da BR Distribuidora (…) houve uma revolta da bancada do PMDB na votação da CPMF e nesse dia eles chamaram o Michel [Temer] e o Henrique Alves para essa reunião e os dois acalmaram a bancada, que acabou votando em seguida a CPMF”, declarou.

Cunha fez o esclarecimento quando foi questionado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre o assunto, durante cerca de três horas de interrogatório. Em novembro, a defesa do ex-parlamentar encaminhou à Justiça 41 perguntas destinadas a Temer. Parte dos questionamentos foi indeferida por Moro, que entendeu não haver relação com o contexto do processo. Uma das perguntas foi sobre a participação de Temer no encontro, fato que foi negado pelo presidente, em resposta enviada ao juízo por escrito.

Metade da audiência foi tomada por perguntas feitas pelo juiz federal Sergio Moro. Cunha responde à ação penal pelo suposto recebimento de R$ 5 milhões em propina que envolveriam a compra, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo petrolífero de Benin, na África, em 2011.

Um dos advogados de Cunha, o especialista em delação premiada Marlus Arns, disse, ao final da audiência, que o ex-deputado afirmou que Temer sabia da existência de uma cota de cargos do PMDB dentro da Petrobras. A Lava-Jato sustenta que a diretoria de Internacional da companhia era um lote político do partido na estatal.

“O atual presidente Michel Temer era à época [dos fatos do processo] presidente do PMDB, e ele foi ventilado inúmeras vezes na audiência de hoje nessa condição. [Cunha não disse] Nada que desabone a conduta do presidente Michel Temer, simplesmente o fato de que o presidente do PMDB à época conhecia como as coisas funcionavam dentro do partido, a divisão que era feita entre as bancadas, como era a escolha dos ministérios que cabiam a cada bancada do PMDB”, contou o criminalista.

No final da audiência, Cunha leu carta manuscrita em que afirma ter um aneurisma semelhante ao que provocou a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia da Silva, na semana passada.

A defesa do ex-deputado pediu ao juiz Sergio Moro que o coloque em liberdade. Ele cumpre prisão preventiva no Complexo Médico Penal em Pinhais (PR).

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